Sábado, 23 de Marzo de 2019

Ações da embraer chegam a subir 10% na bolsa

BrasilO Globo, Brasil 23 de marzo de 2019

As ações da Embraer foram o grande destaque ontem da Bolsa de Valores, um dia após o governo Jair ...

As ações da Embraer foram o grande destaque ontem da Bolsa de Valores, um dia após o governo Jair Bolsonaro dar um aval para a parceria entre a empresa e a americana Boeing. Na abertura dos negócios na B3, em São Paulo, os papéis da fabricante brasileira de aviões saltaram 10%, mas fecharam o dia com alta de 2,57%. Já o Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, caiu 0,16%.
Apesar do entusiasmo dos investidores, as duas empresas têm ainda um longo caminho até a concretização da parceria. A agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) ameaçou rebaixar a nota da Embraer por causa da operação. Sindicalistas e acionistas minoritários da empresa prometem uma batalha judicial para impedir que o negócio avance.
A S&P ressalta que as divisões de jatos executivos e de defesa, que ficarão sob o controle da fabricante de aeronaves brasileira, geram menos dinheiro e são mais voláteis. Isso, afirma a agência de classificação, enfraquecerá o perfil de risco de negócios e a qualidade de crédito da empresa.
aprovação confirmada
Ontem, o Conselho de Administração da Embraer ratificou a aprovação prévia dos termos da parceria estratégica com a Boeing. O acordo agora precisa passar pelos acionistas e autoridades regulatórias. A própria Embraer acredita que tudo pode estar resolvido, na melhor das hipóteses, até o fim deste ano. A operação ainda deve ser assinada por órgãos de defesa da concorrência no Brasil e nos Estados Unidos.
A parceria entre as empresas prevê a criação de uma nova empresa na área de aviação comercial, na qual a Boeing terá participação de 80% e a Embraer, de 20%. A fabricante de aeronaves americana vai desembolsar US$ 4,2 bilhões por sua fatia nesta nova companhia. As empresas já vinham negociando há meses, mas era necessário contar com o aval do governo pois a União conta com uma golden share, classe especial de ação que dá direito a veto em decisões relevantes.
A decisão do governo foi anunciada após uma reunião com militares, que se mostraram favoráveis ao negócio, pois avaliaram que não há risco para a soberania nacional. Além das divisões de Defesa e aviação executiva, a Embraer contará com receitas de dividendos da nova companhia.
Sindicatos e acionistas minoritários, porém, prometem intensificar esforços para inviabilizar o negócio. Aristeu Pinto Neto, advogado do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, entidade que representa os trabalhadores da Embraer, afirmou que irá pedir na Justiça a restauração da decisão provisória (liminar) tomada em dezembro pela 24ª Vara Federal Cível de São Paulo, que determinava a "suspensão de qualquer ato concreto de transferência da parte comercial da Embraer".
O advogado defende que a Embraer precisa fazer uma manifestação oficial na Comissão de Valores Mobiliários (CVM, órgão regulador do mercado de capitais) ou do Conselho Nacional de Defesa, órgão consultivo da Presidência da República em assuntos de segurança nacional, reconhecendo a transferência do controle da Embraer para a Boeing.
O advogado avalia que o governo federal também deveria ter uma golden share na nova companhia, que será criada em parceria entre as duas fabricantes de aeronaves.
" O risco é concreto de transferência do parque aeronáutico brasileiro para os americanos. Entregar tudo isso fere a soberania nacional " diz o advogado.
ação civil pública
Já o presidente da Associação Brasileira de Investidores (Abradin), Aurélio Valporto, prepara uma ação civil pública, que visa evitar perdas para os acionistas minoritários. Para a Abradin, a operação consiste numa transferência de controle, portanto uma oferta pública de aquisição (OPA) das ações da Embraer seria obrigatória.
Para Valporto, a valorização dos papéis da Embraer mostra que há muitos investidores esperando essa operação, em busca de lucro de curto prazo.
" A OPA é obrigatória, conforme determinação do estatuto, em uma operação como essa. Mas até o momento a empresa não se manifestou, daí nossa preocupação " diz Valporto.
Segundo ele, a estrutura que restar da Embraer depois do negócio não sobreviverá sem grandes subsídios estatais, já que é a escala proporcionada pela divisão comercial que viabiliza os segmentos executivo e militar.
Procurada, a Embraer não quis se manifestar.