Jueves, 25 de Abril de 2019

Perícia investiga se poliuretano era impróprio

BrasilO Globo, Brasil 25 de abril de 2019

A perícia técnica do Instituto Carlos Éboli está fazendo testes de laboratório para verificar se a ...

A perícia técnica do Instituto Carlos Éboli está fazendo testes de laboratório para verificar se a espuma utilizada para o isolamento térmico dos contêineres do alojamento da divisão de base do Flamengo era de material antichamas ou se foi determinante para propagação do incêndio que matou dez atletas e deixou outros três feridos.
O Flamengo e a NHJ do Brasil, fornecedora dos contêineres, admitem o uso da espuma de poliuretano, muito utilizado como isolante térmico, na estrutura. A polícia intimou cinco funcionários do clube, entre eles, o gerente de patrimônio, para prestarem esclarecimentos hoje na 42ª DP (Recreio). Também foram solicitadas as plantas e projetos do alojamento, com detalhamento dos materiais usados na construção dos módulos habitacionais. O objetivo é permitir que a perícia reconstrua as condições que levaram à tragédia.
A perícia do Instituto Médico Legal revelou que os jovens morreram por asfixia por inalação de monóxido de carbono e incêndio, indicando que eles inalaram muita fumaça e não tiveram como reagir. O superaquecimento provocado pela queima dos painéis isolantes térmicos transformou o ambiente numa espécie de autoforno, o que reforça as suspeitas de que havia material altamente inflamável.
Segundo especialista ouvido pelo GLOBO, o poliuretano autoextinguível não é o vilão da tragédia no Flamengo. A espuma, que funciona como isolante térmico e acústico e preenchia as chapas de aço dos contêineres, teria sido vítima de uma rede elétrica mal planejada. Procurado, o Flamengo não apresentou os projetos de segurança, antipânico e tampouco elétrico para uso da estrutura.
Ex-diretor do Instituto de Química da UFRJ, David Tabak explica que o poliuretano usado nesses módulos é, na grande maioria das vezes, tratado para ser autoextinguível. Mas como há diversos tipos de material de poliuretano, não se sabe qual o tipo que havia no contêiner.
" Não acredito que a empresa não tenha tratado o material. É praxe no mundo inteiro. Estes contêineres são usados para diversas finalidades, inclusive como dormitórios "disse Tabak. " É como o fio de nylon dos secadores de roupa, que, queimado na ponta, não se propaga pelo material. Ao contrário, faz uma "bolotinha" na ponta e não pega fogo. O mesmo ocorre com esta espuma tratada. Mas, com o fogo crescendo, num incêndio, há queima da espuma.
inflamáveis
Com base em imagens de TV, Tabak disse que a espuma, já preta, ainda estava lá. Ou seja, não queimou a ponto de sumir, porém, comprometeu a estrutura sanduíche do contêiner. As chapas de aço "murcharam". Para ele, outros materiais inflamáveis, como madeira, colchão e tecido, ajudaram a propagar o fogo.