Jueves, 21 de Marzo de 2019

Aéreas cancelam encomendas do boeing 737 max

BrasilO Globo, Brasil 21 de marzo de 2019

Com a perspectiva de que os aviões Boeing 737 Max não voltem a voar antes do fim de abril " quando ...

Com a perspectiva de que os aviões Boeing 737 Max não voltem a voar antes do fim de abril " quando a correção de uma falha no software do equipamento poderá estar concluída " crescem as perdas da fabricante americana. A crise coloca em risco uma carteira de encomendas no valor total de US$ 600 bilhões. Companhias aéreas estão cancelando pedidos, o que pode colaborar para impulsionar vendas da europeia Airbus e mesmo da chinesa Comac.
Com o avião impedido de voar em mais de 50 países, os papéis da Boeing acumulam perda de 11,6% desde segunda-feira, um dia após o acidente com o 737 Max da Ethiopian Airlines que deixou 157 mortos. Foi o segundo acidente fatal com o avião em cinco meses. Com o tombo, a companhia perdeu US$ 27,8 bilhões em valor de mercado, ou R$ 112 bilhões. É oito vezes o valor total da Embraer, de quem a americana está se tornando parceira na criação de uma nova companhia brasileira voltada para a aviação comercial.
Enquanto isso, o presidente francês Emmanuel Macron, em visita à África, discute com o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, novos contratos c om a Airbus para a renovação de frota da Ethiopian " justamente a empresa do acidente com o modelo da Boeing no domingo. Ainda este mês, Macron se encontra com o presidente chinês Xi Jinping, em Paris. Vão discutir uma grande encomenda de aviões da Airbus.
Sem efeito para Embraer
A estatal chinesa Comac está construindo o C919, com capacidade para transportar 170 passageiros, que conta com 800 encomendas de aeronaves. O jato vai concorrer com o Boeing 737 Max 8 e com o Airbus 320neo. A China foi o primeiro país a tirar os Max 8 de operação, sendo acompanhada, na sequência, por outras empresas aéreas.
A fabricante brasileira de aviões Embraer informou ontem que o problema com o 737 Max não afeta a parceria com a Boeing.
" Não tem conexão com a Embraer e não afeta a parceria estratégica com a Boeing " afirmou Nelson Salgado, vice-presidente Financeiro e diretor de Relações com Investidores da Embraer.
A Embraer registrou prejuízo de R$ 669 milhões em 2018, no primeiro resultado negativo em dez anos. Em 2017, a companhia teve lucro de R$ 850,7 milhões. A empresa encerrou o ano passado com US$ 16,3 bilhões na carteira de pedidos, abaixo dos US$ 18,3 bilhões de 2017, mas já demonstrando recuperação em encomendas desde o terceiro trimestre.
A suspensão dos voos com o 737 Max tem causado transtornos para passageiros da Gol, única brasileira que tem o avião em sua frota. O executivo Renato Campos deveria voar de Miami para Brasília anteontem. O voo, porém, que utilizava o modelo, foi cancelado. Agora, a previsão é que ele volte ao Brasil só amanhã.
" Na quarta, quando cheguei ao aeroporto e tentei fazer o check-in, fui informado de que o voo havia sido cancelado. Liguei para a central de atendimento da Gol e fui informado de que só poderia ser acomodado em um voo do sábado (amanhã) " contou ele.
A arquiteta Vania Cruz embarcaria no mesmo voo que Campos, mas foi reacomodada num voo operado pela Gol que partiu de Miami para Brasília ontem. A Gol informou que vem realizando ajustes na malha para atender a todos os seus clientes, que estão "viajando em voos próprios e também em outras companhias, como a Delta". Diz ainda estar oferecendo a assistência prevista pela legislação atual.
A indonésia Lion Air avalia trocar encomenda de US$ 22 bilhões do 737 Max por aviões da Airbus. A Garuda Indonesia, que atua no mesmo país, planeja reduzir os pedidos, e uma encomenda de US$ 5,9 bilhões da Saudi Arabian Airlines estaria em risco.Há empresas que já afirmam que vão cobrar da Boeing compensações pelas perdas que terão com os aviões parados, como anunciou a Norwegian Air.
Carter Copeland, analista da Melius Research, estima que a Boeing pode gastar quase US$ 1 bilhão para resolver o problema com a frota do 737 Max. (Com agências internacionais)