Lunes, 17 de Junio de 2019

Riogaleão questiona segurança do santos dumont, e anac contesta

BrasilO Globo, Brasil 17 de junio de 2019

Dois dias após receber da concessionária RIOgaleão um alerta sobre as condições de segurança do ...

Dois dias após receber da concessionária RIOgaleão um alerta sobre as condições de segurança do Aeroporto Santos Dumont, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) descartou ontem problemas no terminal do Centro do Rio. A reguladora classificou ontem as informações do documento enviado pela operadora do Aeroporto Internacional Tom Jobim, na Zona Norte, como "inverídicas".
Como revelou o colunista do GLOBO Ancelmo Góis, o documento protocolado na Anac sugere que o risco de operar no Santos Dumont é 12 vezes maior que o recomendado pela Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), considerando recomendações como a distância ideal entre aeronaves.
Em busca de mais de voos
Privatizado em 2013, o Galeão enfrenta dificuldades para aumentar o número de passageiros e disputa voos domésticos com o Santos Dumont, administrado pela Infraero. Por isso, o documento é visto com desconfiança pelos técnicos da Anac, já que há interesse econômico envolvido. "A Anac repudia essa forma de concorrência que busca gerar dúvidas e espalhar o medo para tentar obter benefícios", disse o órgão em nota. A Infraero não se manifestou.
Ainda de acordo com os técnicos da agência, se houvesse riscos na operação do Santos Dumont, caberia ao Controle de Tráfego Aéreo da Aeronáutica fazer a notificação sobre os riscos, o que não ocorreu.
Em nota, a RIOgaleão afirma que o estudo, feito por consultoria especializada, identificou limitações da infraestrutura do Santos Dumont que geram riscos "muito superiores" aos estabelecidos por normas internacionais e recomendações da ANAC. E que o encaminhou para "contribuir com a preservação da segurança da aviação brasileira". Cobrou, ainda, que a Anac torne o documento público "para que não reste dúvida quanto aos reais objetivos do estudo".
Dados da Anac dão uma dimensão das dificuldades do Galeão. Nos dois primeiros meses deste ano, enquanto o número de passageiros domésticos ficou estável no Santos Dumont, em relação ao primeiro bimestre do ano passado, no Galeão houve queda de 19,3%, para 1,63 milhões. Ampliar conexões domésticas é essencial para o Galeão atrair mais voos internacionais.
Em março, O GLOBO mostrou que, nos últimos seis anos, o total de pousos e decolagens domésticas encolheu 35,4% no Tom Jobim. No Santos Dumont, a queda foi menor: 15,5%. Companhias e passageiros tendem a preferir o segundo por causa da localização. Pesa contra o Galeão a percepção de falta de segurança na Linha Vermelha, que liga o aeroporto ao Centro. Para piorar o quadro, a Avianca, que está em recuperação judicial, cancelou suas operações no Galeão a partir deste mês.