Martes, 23 de Julio de 2019

Bandeira de mello corre risco de ser expulso do clube

BrasilO Globo, Brasil 22 de julio de 2019

O ex-presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, decidiu ir ao julgamento marcado para o ...

O ex-presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, decidiu ir ao julgamento marcado para o dia 20 de maio, no Conselho de Administração do clube, para se defender de um inquérito interno que pode terminar com sua inelegibilidade nos pleitos presidenciais de 2021 e 2024. Em caso de nova punição, há risco de expulsão.
Na sessão da semana que vem, Bandeira vai argumentar contra o relatório da comissão de inquérito do Conselho de Administração (Coad), que indica que o dirigente e o grupo SoFla teriam combinado um processo na Justiça comum contra o clube.
A ação na 34ª Vara Cível, movida pelo sócio Bruno Barki, pedia que fosse observado o texto do estatuto que diz que a preferência de escolher as cores das chapas eleitorais se dá por ordem de chegada. Tanto a chapa de Ricardo Lomba, candidato de Bandeira ao pleito de 2018, quanto a de Rodolfo Landim queriam o direito de usar a cor azul, que reunia as duas correntes em 2012.
" Minha primeira reação foi não fazer nada. Por achar injusto. Pensei: "Já cumpri minha missão, fiz o melhor que eu pude; se o clube quiser me expulsar, me expulse e eu sigo minha vida como torcedor". Mas vários amigos e torcedores estão fazendo um movimento de apoio, e estou reavaliando. Provavelmente apresentarei defesa, em respeito a essas pessoas " afirmou Bandeira em entrevista ao GLOBO.
O ex-presidente, que deixou o poder no começo de 2019, deu procuração para que uma pessoa próxima vá à Gávea tomar conhecimento do parecer da comissão de inquérito. Nele, a tese é que o atual diretor jurídico do Flamengo, Bernardo Accioly, fora obrigado a escrever um relatório a favor da ação e da manifestação do clube sobre ela na Justiça.
‘já cumpri minha missão’
No fim, foi Bandeira quem assinou a autorização para que o clube se manifestasse a favor do cumprimento do estatuto, estabelecendo a preferência na ordem de chegada para a chapa de Lomba. Porém, o presidente do Coad, Bernardo Amaral, determinou que a decisão sobre as cores ficasse a cargo da Comissão Eleitoral, dando início ao imbróglio.
" O Bruno Barki entrou na Justiça, que indagou o Flamengo. O Flamengo era eu. Eu teria que responder à juíza. E o jurídico preparou um parecer me pedindo autorização para que o clube interviesse da maneira que eles achavam mais correta. O Accioly me pediu autorização pra se manifestar na ação. Aí alegaram que eu entrei na Justiça contra o clube. Falam de lide simulada. Não faz sentido " disse.
Indagado se tudo isso seria uma tentativa da atual administração em tirá-lo de cena no clube, impedindo de tentar novas eleições, deixou em aberto:
" Essa é uma interpretação. Se eu sofrer uma punição, estou inelegível. No caso de uma segunda punição, estou expulso. Podem abrir outro inquérito. Se é para evitar que eu me candidate, não cabe a mim avaliar. Não gostaria de participar de um clube em que as pessoas não me querem. Já cumpri minha missão. Em princípio teria problema até em casa (caso se candidatasse).
Para Bandeira, quem deve responder sobre isso são as pessoas que votarão, como ex-presidentes, presidentes de poder, além de grandes beneméritos:
" Todo esse processo é injusto. É uma coisa que eu não sei a que atribuir, mas que não tem fundamento jurídico. Agi em defesa do estatuto do Flamengo, respaldado pelo jurídico O que eu fiz foi a minha obrigação.