Sábado, 19 de Octubre de 2019

Estatal boliviana pretende comprar ações da petrobras em gasoduto

BrasilO Globo, Brasil 19 de octubre de 2019

Após a Petrobras assinar um acordo com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para ...

Após a Petrobras assinar um acordo com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para vender suas participações em ativos de gás natural no Brasil, a estatal petrolífera boliviana YPFB mostrou interesse em ampliar sua fatia no Gasoduto Brasil-Bolívia (GasBol). A Petrobras controla a TBG, dona do gasoduto, com 51% das ações e se comprometeu a vender essa participação. A boliviana, que tem 12% da TBG, informou em comunicado que tem interesse em comprar ações da estatal brasileira no empreendimento.
Álvaro García Linera, vice-presidente da Bolívia, disse a jornais de seu país que a YPFB pode ser acionista majoritária no gasoduto. Em nota, o Ministério de Hidrocarbonetos da Bolívia informou que a YPFB tem a intenção de participar da licitação a ser feita pela Petrobras para a venda das ações com o objetivo de "aumentar a sua influência no mercado de gás brasileiro".
Luis Alberto Poma Calle, gerente de Regulação da Gas Transboliviano (GTB), subsidiária da YPFB, declarou que o plano permitiria à empresa boliviana negociar gás natural diretamente com empresas de distribuição e indústrias privadas no Sudeste do Brasil. Em nota, no entanto, ressaltou que saída da Petrobras da TBG não significa redução do volume de compra de gás do Brasil pela Bolívia.
interesse natural
Dos 3.150 quilômetros do gasoduto, 82% ficam no Brasil. Em operação há 20 anos, ele transporta 32,8 milhões de metros cúbicos diários.
Uma fonte do setor envolvida no projeto de venda de ativos da Petrobras avalia que o interesse da empresa boliviana em aumentar sua participação no gasoduto é natural. Conhece bem o ativo, já que gerencia a operação no lado boliviano, e não teria que investir na infraestrutura. Como sócia, a YPFB teria prioridade na compra da fatia da Petrobras.
Rivaldo Moreira, sócio-diretor da consultoria Gas Energy, adverte que o plano da YPFB pode enfrentar restrições de uma resolução da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que proíbe uma mesma empresa dona do gás e do duto.