Jueves, 22 de Agosto de 2019

Três mulheres entram no masculino clube da tríplice coroa

BrasilO Globo, Brasil 22 de agosto de 2019

Há poucas décadas, as mulheres estavam alijadas de boa parte do programa olímpico. O Brasil, ...

Há poucas décadas, as mulheres estavam alijadas de boa parte do programa olímpico. O Brasil, normalmente um passo atrás na evolução feminina no esporte, só teve suas primeiras medalhistas nos Jogos de Atlanta, em 1996 " os homens haviam conquistado sua primeira medalha em 1920, na Antuérpia. Por isso, o feito de três brasileiras nos Jogos Pan-Americanos de Lima é histórico. Rafaela Silva, Martine Grael e Kahena Kunze se tornaram as primeiras mulheres do país a conquistar a tríplice coroa das principais competições internacionais (Olimpíadas, Mundial e Pan). E, assim, elevam o gênero a um novo patamar no esporte brasileiro.
Num período de menos de seis anos, as três atletas colocaram o Brasil no topo em diferentes ocasiões e gravaram seus nomes na história do esporte brasileiro. A judoca Rafaela Silva já havia conquistado um feito inédito em 2013, no Rio, ao ser a primeira brasileira campeã mundial da modalidade. Três anos depois, também em casa, novamente levou o ouro, desta vez nos Jogos Olímpicos.
próximas da lista
Faltava apenas o ouro dos Jogos Pan-Americanos " Rafaela ainda tem na conta um Mundial Militar em 2015 ", que havia batido na trave nas duas últimas edições, com o bronze em Toronto-2015 e a prata em Guadalajara-2011.
" Fico feliz de poder deixar meu nome na história do esporte brasileiro. Apenas abri uma porta, e espero que muitas mulheres possam passar e deixar o nome na história assim como deixei o meu. O esporte feminino vem crescendo cada vez mais em todas as modalidades. Estamos conseguindo a cada dia mais espaço e isso é muito importante para o futuro de nossos esportes e do nosso país" disse Rafaela Silva a O GLOBO.
A jovem dupla feminina da vela também entrou para o rol das multicampeãs brasileiras num curto espaço de tempo. Falar da classe 49er FX sem citar Martine Grael e Kahena Kunze é impossível. Campeãs mundiais em 2014, foram as primeiras vencedoras olímpicas, no ano de estreia da categoria feminina, no Rio-2016.
No sábado, com antecedência, outra marca inédita: primeiro ouro brasileiro na modalidade, que começou em Toronto (foram prata há quatro anos).
Martine reforça o sentimento de Rafaela Silva ao ver que agora a parede está completa com a medalha de ouro pan-americana.
"Podemos dizer que esse era o título que faltava "disse a velejadora, que já partiu para Tóquio, onde, antes de tentar o bi ano que vem, disputará um evento-teste para as Olimpíadas.
O Pan de Lima deu a duas outras atletas a chance de igualar a marca: a judoca Mayra Aguiar e Ana Marcela Cunha, da maratona aquática. Ambas levaram o ouro na competição continental, que se somou aos mundiais já conquistados. Agora, falta apenas o ouro olímpico em Tóquio-2020.
vôlei tem mais campeões
A judoca atual número um do ranking mundial, que bateu a cubana Kaliema Antomarchi em Lima, na categoria -78kg, já venceu o mundial em 2014 e 2017. Em Jogos Olímpicos, ela já subiu ao pódio também duas vezes, mas para receber o bronze em Londres-2012 e no Rio-2016.
A maratonista Ana Marcela Cunha também está na busca pelo ouro olímpico para completar a coleção. A baiana é pentacampeã mundial (quatro vezes nos 25km e uma vez nos 5km) e venceu os 10km, em Lima. É justamente a única prova olímpica, em que ela ainda precisa se aprimorar.
Antes delas, 15 atletas brasileiros, com um caminho mais longo nas competições internacionais, tinham alcançado a tríplice coroa, sendo nove do vôlei e três do vôlei de praia, as duas modalidades que mais concentram multicampeões.
Os outros três são de esportes individuais: o velejador Robert Scheidt (o maior atleta olímpico brasileiro, com cinco medalhas sendo duas de ouro), o nadador Cesar Cielo e o ginasta Arthur Zanetti.