Miércoles, 08 de Abril de 2020

Enfim, o despertar do coi

BrasilO Globo, Brasil 8 de abril de 2020

Análise

Análise
No domingo passado, quando informou que tomaria uma decisão definitiva sobre os Jogos de Tóquio num prazo de quatro semanas, o Comitê Olímpico Internacional se colocou numa posição estrategicamente confortável: eximiu-se de dar ao mundo uma esperada notícia ruim, evitou uma rusga com o governo japonês e se pôs a aguardar o que o movimento olímpico tinha a dizer.
A espera foi breve. De federações importantes como a da natação americana e a IAAF, do atletismo internacional, a comitês olímpicos e paralímpicos nacionais, como os do Brasil, os pedidos pelo adiamento da próxima Olimpíada facilitaram o anúncio feito ontem.
O COI poderia até lavar as mãos " desde que por no mínimo vinte segundos e observando as orientações da campanha mundial contra o coronavírus " e dizer que, diante dos gritos da família olímpica, não lhe restou outra alternativa a não ser mover os Jogos para o ano que vem. Fez um pouco pior: o comunicado oficial da postergação menciona "informações fornecidas hoje (ontem) pela Organização Mundial da Saúde", quando qualquer ser humano pensante sabe, há semanas, que a ideia de realizar o evento a partir de 24 de julho deste ano era um exercício de insanidade.
Primeiro pelas evidentes razões humanitárias, depois por causa da impossibilidade de preparação e classificação dos atletas, os principais atores " convém lembrar sempre " do espetáculo.
Daqui a cerca de um ano, se tudo correr bem, a humanidade terá se recuperado da pandemia e o retorno da normalidade permitirá que os Jogos Olímpicos exerçam um papel ainda mais relevante em seu significado puramente esportivo.
Já era hora da comunidade dos anéis despertar de seu devaneio.