Domingo, 24 de Enero de 2021

Enfim, o despertar do coi

BrasilO Globo, Brasil 25 de marzo de 2020

Análise

Análise
No domingo passado, quando informou que tomaria uma decisão definitiva sobre os Jogos de Tóquio num prazo de quatro semanas, o Comitê Olímpico Internacional se colocou numa posição estrategicamente confortável: eximiu-se de dar ao mundo uma esperada notícia ruim, evitou uma rusga com o governo japonês e se pôs a aguardar o que o movimento olímpico tinha a dizer.
A espera foi breve. De federações importantes como a da natação americana e a IAAF, do atletismo internacional, a comitês olímpicos e paralímpicos nacionais, como os do Brasil, os pedidos pelo adiamento da próxima Olimpíada facilitaram o anúncio feito ontem.
O COI poderia até lavar as mãos " desde que por no mínimo vinte segundos e observando as orientações da campanha mundial contra o coronavírus " e dizer que, diante dos gritos da família olímpica, não lhe restou outra alternativa a não ser mover os Jogos para o ano que vem. Fez um pouco pior: o comunicado oficial da postergação menciona "informações fornecidas hoje (ontem) pela Organização Mundial da Saúde", quando qualquer ser humano pensante sabe, há semanas, que a ideia de realizar o evento a partir de 24 de julho deste ano era um exercício de insanidade.
Primeiro pelas evidentes razões humanitárias, depois por causa da impossibilidade de preparação e classificação dos atletas, os principais atores " convém lembrar sempre " do espetáculo.
Daqui a cerca de um ano, se tudo correr bem, a humanidade terá se recuperado da pandemia e o retorno da normalidade permitirá que os Jogos Olímpicos exerçam um papel ainda mais relevante em seu significado puramente esportivo.
Já era hora da comunidade dos anéis despertar de seu devaneio.