Sábado, 15 de Agosto de 2020

O desafio de substituir uma picape campeã de vendas

BrasilO Globo, Brasil 14 de agosto de 2020

Carro etc

Carro etc
É uma tremenda responsabilidade substituir um produto que, apesar de estar há 24 anos no mercado, ainda é o líder de vendas. Estamos falando da Strada " há duas décadas, o veículo comercial mais emplacado no país.
Da Fiat Strada antiga, derivada da plataforma do Palio, conhecíamos a robustez e as sensações (quase esportivas) ao volante. Será que a segunda geração estragaria tudo?
Recebemos para avaliação a versão topo de linha Volcano (R$ 80 mil), de cabine dupla, com motor 1.3 Firefly, que rende 109cv de potência e 14,2kgfm de torque.
De fora, a impressão inicial é que a nova Strada é a filhote da Toro. Na cabine, porém, o que se vê é o volante, o quadro de instrumentos (com conta-giros minúsculo) e o painel herdados dos Mobi e Uno, com sutis diferenças.
Toda a estrutura dianteira da picape também é derivada de Mobi e Uno. A posição de dirigir é mais alta que antes.
O conjunto mecânico agrada de cara. O motorzinho 1.3 Firefly (de Uno e Argo) está longe de ser uma máquina de guerra, mas as relações bem curtas da primeira e da segunda marchas fazem com que a picape dê um salto à frente ao sair no sinal.
Com 1.174kg, a recém chegada é 80kg mais leve do que sua antecessora direta, a Strada Adventure " só que esta trazia um motor bem mais forte, o E,torQ 1.8 16v com 132cv e 18,9kgfm.
Para mostrar fôlego, o 1.3 Firefly tem que trabalhar acima de 2.000rpm. O bom é que o consumo anotado na cidade foi de 10,5km/l de gasolina.
Ainda que fosse possível dirigir com olhos vendados, você saberia que está num Fiat, em especial por causa do câmbio de cinco marchas (C513), com curso longo e engates meio esponjosos, que vêm desde o Palio.
Agora com quatro portas, a Strada de cabine dupla está próxima de ser um carro de passeio com enorme porta-malas (844 litros até a borda da caçamba). Além do acesso facilitado, tem cinco lugares, contra os quatro de antes. Não espere muito espaço para quem vai no banco traseiro. Para crianças, está ótimo.
Quem quer comprar essa picape como substituta de um carro, porém, terá de se acostumar à suspensão durinha. A traseira, com eixo rígido e mola semielíptica de lâmina única, vem da Fiorino " a impressão é de que nunca dará problema, por maiores que sejam os buracos pelo caminho.
O acabamento interno é bom, mas não difere muito do que encontramos na versão intermediária Freedom. Achamos o banco do motorista estreito.
Mesmo com alguns senões, gostamos muito da nova Strada " uma picape honesta, à altura de sua antecessora.