Viernes, 18 de Septiembre de 2020

Azevêdo desmente trump e nega ter sido ameaçado

BrasilO Globo, Brasil 18 de septiembre de 2020

O embaixador Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), nega que ...

O embaixador Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), nega que tenha tido qualquer conversa com o presidente americano, Donald Trump, na qual ele o tenha ameaçado. Ele se refere ao que foi publicado no livro de Bob Woodward, "Rage", lançado na terça-feira, segundo o qual Azevêdo teria deixado a OMC porque Trump, em um telefonema a ele, teria ameaçado tirar os Estados Unidos da organização se ele permanecesse.
" Essa é uma versão mentirosa. Não houve isso. É Trump sendo Trump, é o relato dele. Essa conversa por telefone nunca aconteceu. Nunca conversei com ele por telefone. Eu não tenho como provar o negativo, mas não há qualquer registro de telefonema de Trump para mim " afirmou.
Sugestão de reforma
Segundo Azevêdo, a única conversa que tiveram foi presencial e no dia 22 de janeiro, em Davos:
" Uma conversa boa e com várias testemunhas, do meu lado e do lado dele. Essa conversa foi tão boa que ele me chamou para uma reunião em Washington.
De acordo com Azevêdo, nessa conversa, Trump reclamou da OMC e defendeu a reforma da organização. O brasileiro disse que respondeu que essa também era a vontade dele, de reformar a OMC.
" Ele me disse: "Vamos fazer nós dois. Eu e você sentamos para conversar e ver de que tipo de reforma a OMC precisa". Não era ameaça, e eu estava falando há muito tempo sobre reforma.
Segundo Azevêdo, ameaças de deixar a OMC Trump vinha fazendo publicamente desde a campanha, não sendo, portanto, novidade. Mas na conversa presencial que tiveram, isso nem foi tratado. Ficaram de se falar em Washington, viagem que nunca aconteceu porque começou o processo de impeachment contra Trump, concentrando todas as atenções dele.
" Que a conversa em Davos foi boa eu tenho registros, e um deles é público. Fomos para a sala de imprensa e demos uma entrevista conjunta. E ele disse que tinha uma tremendous relationship with me (uma formidável relação comigo). A gente havia se conhecido naquele dia. Há testemunhas dessa conversa. Do meu lado, meu chefe de gabinete, Tim Yeend, e meu assessor Trineesh Biswas. Do lado dele, Jared Kushner, que no final da conversa me procurou e disse que o encontro havia sido excelente.
Pelo lado americano, estavam ainda o secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, o secretário de Segurança Nacional, Robert O’Brian, e o representante do Conselho de Segurança Nacional, Larry Kudlow.
" Os fatos são esses, uma conversa por telefone nunca ocorreu, e eu digo isso na cara dele se ele quiser " disse o diplomata brasileiro, que está hoje nos Estados Unidos, como vice-presidente da Pepsico.
Pandemia no caminho
Ele conta que acabou antecipando a sua saída da OMC, não por essa versão da ameaça, que ele define como "fantasiosa", mas porque, com a Covid-19, a reunião de ministros ficou para junho do ano que vem. A preparação dessa conferência iria coincidir com a campanha para sua sucessão, o que atrapalharia o sucesso do evento, afirmou.