Martes, 22 de Septiembre de 2020

Série sueca mistura mistério a dramas da imigração

BrasilO Globo, Brasil 22 de septiembre de 2020

Crítica

Crítica
Quem já está com saudades de "Perry Mason" pode tentar "Young Wallander", que acaba de chegar à Netflix. Aqui também acompanhamos a aventura de um detetive que pega seu primeiro caso importante (antes que leitores zangados venham me corrigir, já faço a ressalva: sim, Mason só atua como detetive no início e depois vira advogado, mas aí é outra história). Trata-se do mesmo gênero de dramaturgia, mas sem a qualidade da trama estrelada por Matthew Rhys na HBO.
Adam Pålsson vive Kurt Wallander, jovem policial que mora em Rosengård, um conjunto habitacional em Malmö, na Suécia. Seu vizinhos, em grande parte imigrantes vindos do Oriente Médio, não sabem da sua atividade profissional. Até que, em certa ocasião, no meio da noite, um tumulto atrai os moradores para uma área de esportes que separa os prédios. A gritaria se deve a uma cena chocante: há um rapaz amarrado a uma cerca, com uma granada dentro da boca. Em volta dele, um grupo de jovens grita impropérios. Kurt sai em seu socorro e acaba expondo, assim, sua identidade. Em vão: a explosão acontece e a trama se abre numa complicada investigação. O mistério é alimentado ainda pelos conflitos entre imigrantes e suecos.
A trama é nórdica, mas falada em inglês. Esse detalhe revela muito sobre ela. Trata-se, claramente, de uma produção feita para agradar ao mercado mundial. O preço dessa ambição é alto. "Wallander", pasteurizada e banal, poderia ter saído de um estúdio americano. O enredo captura a atenção, mas cai na previsibilidade esquemática. Vale conferir esperando apenas boa diversão.