Martes, 02 de Marzo de 2021

Ataque ajuda fla a crescer na reta final

BrasilO Globo, Brasil 23 de febrero de 2021

por que engrenou

por que engrenou
O Flamengo de Rogério Ceni ainda não enche os olhos da torcida e dos estudiosos do futebol. Lampejos do time dominante de 2019 surgem esporadicamente durante as partidas. Mas os números corroboram um fato: o rubro-negro engrenou na reta final, fez valer sua superioridade técnica e chega à última rodada do Brasileiro perto do segundo título consecutivo.
O coletivo tem se sobressaído, mas é notório o desempenho de um jogador em especial nas últimas seis rodadas. Artilheiro de 2019, Gabigol colocou o pé na forma e marcou um gol por jogo. Foi dele o importantíssimo gol da virada sobre o Internacional no domingo, no Maracanã.
Para se ter uma ideia do crescimento do atacante, basta comparar com os números dele mesmo até então. Antes do jogo contra o Grêmio, Gabigol havia feito oito gols em 18 partidas " uma média de 0,4 gol por jogo.
" Ele é um dos grandes jogadores do futebol brasileiro. Perto da área tem muita movimentação. Este ano, talvez o índice de finalização dele tenha caído um pouco, mas ele é muito decisivo " disse Rogério Ceni após a vitória sobre o Inter.
Mas o que mudou de uma hora para outra que fez o atacante desencantar? Uma das explicações pode ser a constância da formação nos últimos jogos. O quarteto formado por Arrascaeta, Everton Ribeiro, Bruno Henrique e Gabriel tem sido acompanhado no meio-campo por Diego e Gerson. Desde que optou por Willian Arão na zaga " ele ficou fora contra o Internacional por causa da fratura em um dedo do pé direito ", o time só perdeu para o Athletico (2 a 1). No empate com o Bragantino, Diego estava suspenso e foi substituído por João Gomes.
posse de bola acima de 60%
Nas últimas derrotas, algumas das peças do ataque estavam fora. Contra o Athletico, Bruno Henrique não jogou e Arrascaeta foi deslocado para sua posição. No tropeço diante do Ceará, Gabigol ficou no banco de reservas e só entrou nos 20 minutos finais.
Outras estatísticas das partidas recentes também dão algumas referências do jogo do rubro-negro sob comando de Ceni. Nas melhores atuações do Flamengo, a posse de bola é mantida em mais de 60% do tempo e o percentual de passes certos nos 90 minutos supera os 80%, em média. No 1 a 1 com o Bragantino, por exemplo, essas duas variáveis ficaram abaixo da média, com 55% e 78%, respectivamente.
Não adianta, porém, manter a bola nos pés e só tocá-la de um lado para o outro. O segredo do sucesso do Flamengo também passa pela aproximação dos seus jogadores na área. O confronto com o Inter é um bom exemplo do que dá certo e do que dá errado. Arrascaeta mostrou talento para assistir bem seus companheiros e se colocar em posição de finalização. Nas estatísticas, o meia uruguaio vem se destacando como o mais eficiente do time. Mas as mudanças de Ceni contra o Internacional também fizeram o time abusar das bolas longas (73%), quando a média tem sido entre 50% e 60%.
Em meio ao crescimento de alguns de seus principais jogadores, Rogério Ceni prefere exaltar o trabalho coletivo do Flamengo:
" Eu não sei de nenhum time que vence pela qualidade individual. Um time defende como um todo, ataca como um todo. O coletivo sempre prevalece no individual. Não tiremos o mérito da individualidade. Mas isso aqui é o Flamengo, tem grandes jogadores. Na minha concepção de vida, o trabalho em grupo é sempre mais importante do que as individualidades. As jogadas dos dois gols foram coletivas.
Não à toa, o jogo com o Inter foi decidido em detalhes e o Flamengo sofreu menos pressão após a expulsão de Rodinei no início do segundo tempo. Mas também não se aproveitou da superioridade numérica para sufocar os gaúchos. Pelo contrário, dentre o retrospecto das outras vitórias da atual invencibilidade, foi o jogo com menos grandes chances de gol, segundo o SofaScore, com apenas uma, e somente quatro finalizações a gol. Na vitória por 3 a 0 sobre o Sport, por exemplo, foram quatro oportunidades claras.
Os números, no entanto, não contam tudo o que acontece em campo. E só por eles não é possível cravar o favoritismo do Flamengo diante do São Paulo, que, após liderar boa parte do campeonato, chega à última rodada precisando da vitória para confirmar uma vaga no G4.