Bap e leila baixam as armas antes da decisão
A conversa ao pé do ouvido entre Leila Pereira e Luiz Eduardo Baptista, o Bap, na semana ...
A conversa ao pé do ouvido entre Leila Pereira e Luiz Eduardo Baptista, o Bap, na semana da final da Libertadores, foi um sinal claro. Os presidentes de Palmeiras e Flamengo baixaram as armas depois de protagonizarem uma série de divergências " a principal delas sobre divisão de receitas de transmissão " para defender os interesses de seus respectivos clubes.
Segundo fontes ouvidas pelo GLOBO, os mandatários amenizaram o tom no evento realizado pela CBF para anunciar o novo modelo de fair play financeiro em razão da proximidade da decisão. Na partida de hoje, em Lima, pelo protocolo da Conmebol, os presidentes acompanham as partidas em um mesmo setor. A expectativa é que Bap e Leila se sentem próximos, até que o tetra se defina.
Nas reuniões anteriores com CBF, Conmebol e nos blocos de discussão de clubes, a distância entre Bap e Leila era visível. O último encontro entre os dois foi na semifinal da Libertadores, com os presidentes da LDU e do Racing. Na ocasião, não houve diálogo, só frieza.
A final única fez a dupla deixar de lado divergências em relação à formação de blocos comerciais para venda de direitos de transmissão na Libra, as notas oficiais com críticas à arbitragem e as discussões públicas sobre as datas das competições, os efeitos da data Fifa e as diferenças sobre gramado sintético. Na discussão sobre fair play financeiro, a CBF chamou os dois mandatários para discursarem antes de anunciar o modelo que prevê gastos de acordo com as receitas.
Depois do debate em alto nível, com troca de gentilezas, Leila entendeu que, às vésperas de uma decisão no exterior, com presença maciça de torcedores dos dois clubes, a rivalidade deveria se restringir ao campo. A dirigente adotou tom pacífico e tentou dar exemplo de que todos devem conviver em harmonia, independentemente das divergências do futebol, embora, nos bastidores, a mandatária mantenha a impressão do "terraflanismo", de que Bap quer que o Brasileiro seja a Bundesliga e o Flamengo, o Bayern de Munique. Bap não entrou em qualquer provocação.
Antes da final da Libertadores e da definição do título do Brasileiro, os dirigentes adotaram estratégias distintas. A presidente do Palmeiras deu uma série de entrevistas, bancou a renovação do técnico Abel Ferreira, enquanto Bap preferiu não fazer comentários em meio à proximidade do título nacional e com o futuro de Filipe Luís ainda indefinido.
Protagonistas
O comportamento inflamado de ambos, que arrefeceu justamente em meio às disputas de títulos neste fim de temporada, passou pelos poucos " mas contundentes " pontos em comum nas duas administrações, que prezam pelo profissionalismo e pela boa governança.
Os dois presidentes, que assumiram protagonismo em seus clubes ao aliarem boa gestão financeira e futebol, não escondem a característica centralizadora, exacerbada pelos modelos presidencialistas. No dia a dia, assumem quase que um papel de vice de futebol, em diálogo constante com executivos e treinadores. Nesse quesito, Leila tem se mostrado mais ponderada e menos suscetível aos resultados que Bap, que, nas poucas idas ao Ninho do Urubu, se mostrou mais "emocionado" no contato com atletas.