Parcerias redesenham o mercado imobiliário carioca
No mercado imobiliário, atuar sozinho virou quase exceção. A coincorporação " modelo em ...
No mercado imobiliário, atuar sozinho virou quase exceção. A coincorporação " modelo em que duas ou mais empresas dividem desenvolvimento, financiamento e execução de um empreendimento " tem se consolidado como estratégia de expansão. A lógica é simples: ao compartilhar riscos e investimentos, é possível tirar do papel projetos maiores, acessar terrenos que extrapolariam a capacidade de uma única empresa e expandir presença para regiões onde ainda não atuam. O resultado é uma cadeia de interesses alinhados do início à entrega da obra.
A Carvalho Hosken adota esse modelo colaborativo há décadas. Com 75 anos de atuação na Barra da Tijuca, a incorporadora ampliou sua estratégia de crescimento ao buscar parceiros que complementam sua expertise em desenvolvimento urbano de grande escala. Entre as empresas com as quais já compartilhou projetos estão Tegra, Patrimar, Azo e Riva.
Segundo o CEO da Carvalho Hosken, Carlos Felipe de Carvalho, a seleção parte do alinhamento de visão e não do porte ou da marca do parceiro. O que a empresa avalia é a capacidade de execução, a solidez do produto e o compromisso com a valorização da região a longo prazo. Em bairros planejados, cada lançamento interfere no entorno: um projeto fora do padrão pode comprometer o que foi construído ao longo de anos.
" Em bairros planejados, cada projeto precisa dialogar com um contexto maior. Existe o compromisso de preservar e elevar continuamente o padrão urbano construído ao longo de décadas. Por isso, buscamos alianças duradouras com parceiros que compreendam o valor de desenvolver projetos inseridos em ecossistemas urbanos consolidados e altamente valorizados " diz.
Na mesma linha, a Sig Engenharia fez da parceria a base de seu próprio modelo de negócios. Schalom Grimberg, sócio-fundador, conta que a empresa nasceu sem capital próprio e sem apetite por financiamento bancário, o que a obrigou, desde o início, a se especializar na estruturação de negócios com terceiros. A vocação virou método. Hoje, a Sig está presente em praticamente todos os segmentos do mercado carioca, de Ipanema à Lagoa, do retrofit ao corporativo.
Em parceria com o Opportunity Imobiliário, a Sig desenvolveu o Glória Residencial " retrofit do tradicional Hotel Glória ", além do Belavista, em Ipanema, e do Garcia 111, primeiro corporativo triple A do bairro. Com a Cyrela, assinou o Oka, na Lagoa. Já ao lado da Prisma, lançou o Ipa Studios Design, também em Ipanema. Para que o modelo funcione, a operação é conduzida por um comitê formado pelos parceiros.
" O nível de informação de cada parceiro do mercado permite que as boas propostas de inovação sejam colocadas na mesa para discussão. Isso dá dinamismo ao desenvolvimento e implementação dos projetos, que dependem de respostas objetivas " afirma Grimberg, que está estreando uma parceria com a RJDI no lançamento do Arti Leblon.
Para o CEO da Aros Inc., Ricardo Affonseca, o mercado imobiliário tende a modelos mais colaborativos, sobretudo no alto padrão, onde a exigência do cliente final é maior. A empresa segue buscando parceiros com visão alinhada e capacidade de entrega no mesmo nível.
Foi com essa lógica que a Aros Inc. lançou seu segundo projeto com a Azo Inc.: o Gávea 99. A experiência positiva com a primeira parceria (o Janeiro 183, edifício-butique no Humaitá) levou as empresas a ampliar a colaboração para um projeto de maior escala. Segundo Affonseca, foram decisivos para isso o alinhamento de valores e a visão semelhante sobre mercado e urbanismo no Rio.
" O ganho vai além da operação. Parcerias bem estruturadas permitem unir competências, acelerar processos, ampliar repertório e desenvolver projetos com mais profundidade " pontua.