Martes, 09 de Junio de 2026

Pinhão vai da festa junina ao turismo gastronômico

BrasilO Globo, Brasil 9 de junio de 2026

O pinhão, a semente da araucária, é alimento tradicional em festas juninas, principalmente nas ...

O pinhão, a semente da araucária, é alimento tradicional em festas juninas, principalmente nas regiões Sul e Sudeste do país. O produto tem ganhado destaque também em eventos e roteiros turísticos como parte de experiências gastronômicas durante todo o seu ciclo de produção, que começa em maio e termina em julho.
Trilhas em meio às araucárias para colheita de pinhões, oficinas culinárias e festivais gastronômicos acontecem em vários municípios do Paraná, o maior produtor do país, com o objetivo de agregar valor. Para quem mora nas regiões das cidades de Pinhão, Inácio Martins e Turvo, os maiores produtores estaduais, há até a opção de preparar o alimento sob as araucárias, uma prática conhecida como "sapecada", transmitida entre as gerações.
INGREDIENTE VERSÁTIL
O ritual consiste no preparo do pinhão no fogo feito a partir dos galhos secos do próprio pinheiro, conta José Augusto Zanchetta, fundador e membro da diretoria da Associação dos Produtores Rurais, Artesãos e Empreendedores de Turismo da Campina do Taquaral e Região (Acamp). O resultado é um pinhão com a casca tostada e o interior macio, e sabor único, conta ele.
O pinhão também pode ser ingrediente de diversos pratos, como lasanha, carneiro, costela, bolinho de rabada, sopa, bolachas e até sorvete. Essas versões mais inusitadas poderão ser apreciadas durante o Festival do Pinhão da Rota das Colônias, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, que está na sexta edição.
" O pinhão não é apenas um ingrediente, ele representa cultura, sustentabilidade, inovação gastronômica e desenvolvimento regional " diz a nutricionista e chef de cozinha Fátima Negre, de Curitiba, destacando que é um alimento sem glúten, com qualidades nutricionais e versátil.
Em Colombo (PR), a Embrapa Florestas desenvolve um projeto que prevê a implantação de uma agroindústria para o processamento da semente. Uma unidade está sendo construída em Inácio Martins, segundo maior produtor estadual, que colheu 750 toneladas em 2024, atrás apenas do município de Pinhão, responsável por 880 toneladas. Em todo o Paraná, a cultura movimentou R$ 25,7 milhões em 2024, com a produção de 4 mil toneladas.
O projeto da Embrapa inclui capacitações em processamento do pinhão e na produção de mudas enxertadas de araucária. Inicialmente, a agroindústria fabricará farinha de pinhão, mas a iniciativa prevê produção de snacks, salgadinhos, pães e pré-misturas para panificação.
" Hoje sabemos que o pinhão é uma espécie viável e rentável, e o objetivo é promover a geração de renda em toda a cadeia produtiva " diz Rossana Catie de Godoy, pesquisadora da Embrapa Florestas, destacando que a araucária exerce papel fundamental no equilíbrio ambiental na região.
O coletor Rui Sérgio Czanovski, de Inácio Martins, espera aumentar os ganhos com a agroindústria destinada ao processamento do pinhão. Atualmente, a venda da semente representa em torno de 10% da renda da sua propriedade, que tem no cultivo da erva-mate a atividade principal.
" Para melhorar o preço que recebo pelo pinhão, tirei o atravessador e vendo direto ao cliente " conta Czanovski, que comercializa o quilo do pinhão a R$ 8.
Já Sílvio de Godoy, do mesmo município, vende para terceiros, o que reduz o valor para R$ 6,40:
" Espero um melhor rendimento com a agroindústria.
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