Motoristas e empresários de ônibus não entram em acordo
O impasse entre motoristas e empresários de ônibus continua. O Sindicato dos Rodoviários ...
O impasse entre motoristas e empresários de ônibus continua. O Sindicato dos Rodoviários do Município do Rio decidiu, em assembleia realizada ontem, rejeitar a contraproposta de aumento de 4,5% oferecida pelo Sindicato das Empresas de Ônibus (Rio Ônibus) e manteve o estado de greve. A categoria optou ainda por reduzir o percentual de reajuste exigido: de 17% para 12%. Na próxima segunda-feira, os dois lados participam da quarta audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) para tentar um acordo e evitar uma nova paralisação.
" É uma sinalização da categoria de que não tem radicalização da nossa parte " disse Sebastião José, presidente do Sindicato dos Rodoviários, sobre a nova proposta.
Atendendo a uma solicitação do TRT, o resultado da assembleia seria enviado ainda ontem por ofício ao tribunal e também ao Rio Ônibus.
Diferença de 0,11%
Os empresários apresentaram o índice de 4,5% na reunião da última segunda-feira no TRT. Inicialmente, haviam oferecido 4,39%.
A expectativa é que o Rio Ônibus apresente na próxima audiência uma nova proposta que se aproxime dos 5% concedidos aos motoristas dos municípios de Duque de Caxias e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. As reivindicações dos rodoviários do Rio incluem, ainda, piso salarial de R$ 4 mil, para condutores de ônibus regulares, e R$ 5 mil para motoristas do BRT.
Os trabalhadores cruzaram os braços no dia 29 de junho, transformando a ida para o trabalho numa via-crúcis. Na última quinta-feira, dia 2, voltaram ao trabalho, mas não suspenderam o estado de greve.
Do lado do Rio Ônibus, a alegação é que a situação financeira das empresas é delicada, como deixou claro, na última segunda-feira, o presidente da entidade durante audiência de conciliação no TRT.
" É importante mencionar que as coisas têm causa e efeito. Hoje estamos recebendo menos do que em 2023, entre receitas e subsídios " disse João Gouveia, presidente do sindicato.
Já a prefeitura informou que este ano, até 15 de maio, repassou R$ 261,6 milhões em subsídios às empresas.
No meio dessa contenda está a população que utiliza o transporte. Como O GLOBO mostrou ontem, nas zonas Norte, Oeste e Sudoeste, passageiros ainda enfrentam viagens em veículos barulhentos, sujos e lotados. No entanto, 102 novos veículos com sistema de climatização foram comprados este ano pela prefeitura e começaram a circular em abril. Dados da Secretaria municipal de Transportes mostram que 4,74% das viagens realizadas na cidade continuam sendo feitas por ônibus sem ar-condicionado.