Jueves, 19 de Mayo de 2022

‘Nenhuma negociação resiste a bons argumentos’

BrasilO Globo, Brasil 17 de enero de 2022

Com ares de "Shark Tank", e até um integrante da plateia apresentando seu negócio no palco, Camila ...

Com ares de "Shark Tank", e até um integrante da plateia apresentando seu negócio no palco, Camila Farani reuniu uma multidão ontem, na Rio Innovation Week. Num bate-papo com Carlos Júnior, CEO da Sai do Papel, a investidora-anjo, jurada do "Shark Tank Brasil" e fundadora da G2 Capital falou sobre sua trajetória, deu dicas para empreendedores e explicou que nem todo negócio precisa de pessoas como ela, ou seja, investidores externos.
" Eu tenho total interesse em investir, mas às vezes o negócio só precisa de rearranjo financeiro " disse Camila, salientando que vivemos uma era de ouro de tecnologia no país. " Em 2021, US$ 9,4 bilhões foram investidos em start-ups. É o melhor momento no Brasil.
Futuro no metaverso
A Rio Innovation Week, maior evento de inovação da América Latina, ocupou o Jockey de quinta-feira até ontem, com palestras distribuídas por 19 tendas. As discussões sobre tecnologia passaram por temas como saúde, turismo, agro, sustentabilidade, novos meio de pagamento e até viagens ao espaço. O GLOBO, CBN e Valor Econômico foram parceiros de mídia do evento.
Com mais de 40 start-ups apoiadas no currículo, Camila discorreu sobre as competências que um empreendedor precisa desenvolver. Para ela, é primordial trabalhar a inteligência emocional, para resistir às frustrações que surgem pelo caminho, e também a espiritual, que nada tem a ver com religião, e sim com a tomada de consciência da nossa pequena dimensão no universo.
" Nada pior do que empreendedor que não sabe escutar " disse. " Tem que estudar. Nenhuma negociação resiste a bons argumentos.
No Palco do Conhecimento, organizado pela Editora Globo, as oportunidades nos setores de energia e do entretenimento foram o destaque. No painel "O metaverso e o futuro do entretenimento", especialistas defenderam que o termo será o novo estágio da internet nos próximos anos.
" Estamos vendo o início dessa nova jornada, que mudará a cognição humana em talvez cinco, dez ou vinte anos " defendeu Marcelo Lacerda, cofundador do Terra Networks e presidente do conselho da Magnopus, desenvolvedora de algoritmos em computação gráfica que presta serviços para Apple e Disney. " É quase como a invenção da linguagem, há 100 mil anos. Essa fusão começou com o transistor e vai nos levar para um ambiente de vida humana em que parte é sintética e outra parte é física.
A mesa trouxe ainda Marcos Wettreich, CEO do iBest; e Batman Zavareze, curador do Multiplicidade. Os palestrantes destacaram ser questão de tempo até que os wearables (dispositivos "vestíveis" como óculos de realidade virtual, que são porta de entrada do metaverso) se tornem mais atraentes para os consumidores.
" A tecnologia vai se invisibilizar " disse Zavareze. " Essa coisa incômoda de estar em uma reunião e alguém puxar o celular e entrar em outro canal será mais onipresente do que já é.
O tema ambiental, que surgiu ao longo do evento em palestras como a de Céline Cousteau e a de Richard Branson, fez parte do painel "As transformações no setor de energia". Os palestrantes reafirmaram a urgência da transição da matriz energética diante do avanço das mudanças climáticas.
" A crise hídrica prova que precisamos fazer essa transição, pois estamos sentindo as consequências diretas na sociedade e nos negócios " disse Elbia Gannoum, CEO da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) e participante da mesa.
Fernanda Delgado, diretora executiva do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), e Rodrigo Lopes Sauaia, presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), reforçaram a importância da diversificação da matriz energética.
" É uma lição que o Brasil tem para fazer, e a boa notícia é que não dependemos de evoluções tecnológicas " disse Sauaia. " Com as tecnologias existentes, é possível fazer essa diversificação com baixos custos para a sociedade.
processos e pessoas
A mesa final trouxe Jaakko Tammela, diretor do grupo de saúde privada Dasa, e Rodrigo Miranda, presidente da Zaitt, rede de lojas autônomas de varejo alimentar, falando sobre "Os desafios da digitalização". Apesar de trabalharem em setores diferentes, os dois estão em empresas com pegada digital crescente e defendem o foco "em processos e pessoas".
" O CEO sabe fazer uma consulta no SQL (linguagem de bancos de dados)? Sabe buscar dados em tempo real? Se não vier de cima, não se consegue implementar a digitalização " resumiu Miranda. (Colaborou Talita Duvanel)