Muito rico paga taxa de imposto igual a classe média
Quem ganha mais paga proporcionalmente menos impostos, e essa diferença aumenta quando a ...
Quem ganha mais paga proporcionalmente menos impostos, e essa diferença aumenta quando a renda atinge R$ 1 milhão por ano, mostra um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A conclusão do estudo sugere que o princípio da progressividade " presente, por exemplo, nas faixas das alíquotas do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), que sobem conforme a renda do contribuinte " não se aplica aos mais ricos.
Segundo os cálculos do Ipea, no topo da pirâmide, os contribuintes que formam o grupo de 0,01% mais rico da população (quem ganha R$ 8 milhões por ano ou R$ 666 mil mensais) paga uma alíquota média de 12,9%. O percentual é o mesmo de um trabalhador que recebe R$ 6 mil por mês em salário ou R$ 72 mil anuais, em oposição ao princípio da progressividade.
As alíquotas médias efetivas pagas por quem está no 0,1% mais rico da população (renda mínima de R$ 1,4 milhão por ano) ou no 1% mais rico (quem ganha acima de R$ 313 mil anuais) ficam em 13,2% e 13,6%, respectivamente. Os percentuais são próximos ao de quem recebe R$ 6,5 mil por mês, que paga 13,9%.
O estudo do Ipea considera não apenas o IRPF, mas também os tributos que incidem sobre os lucros das empresas. Assim, fica mais justa a comparação entre a carga tributária dos milionários " que normalmente têm grande parte de sua renda advinda dos lucros de empresas " e a cobrada sobre a maioria dos trabalhadores, que, geralmente, recebem salários.
" A progressividade deixa de existir no topo da pirâmide social brasileira e, além disso, a alíquota média máxima é muito baixa quando comparada com aquela praticada pela maioria das economias desenvolvidas e mesmo em relação aos principais países latino-americanos " disse o pesquisador Sérgio Wulff Gobetti, autor da nota técnica do Ipea.
nada sobre dividendos
Conforme o estudo, um dos principais fatores para os mais ricos pagarem menos é a isenção de IRPF sobre lucros e dividendos recebidos de empresas, a principal fonte de renda das pessoas que ganham acima de R$ 1 milhão por ano.
" A proporção que uma pessoa milionária tem de salário é insignificante. Ela tem renda predominante de aplicações financeiras e de lucros e dividendos (que são isentos no Brasil) " explicou Gobetti.
Segundo o pesquisador, o sistema tributário brasileiro é uma "jabuticaba", algo que existe apenas no Brasil.
" Além da isenção dos dividendos, temos uma tributação efetiva sobre o lucro das empresas também muito baixa, principalmente no caso dos regimes especiais.
A equipe econômica do governo federal quer acabar com a isenção do IRPF sobre lucros e dividendos na discussão da segunda etapa da Reforma Tributária, que vai tratar da tributação sobre rendimentos. No governo Jair Bolsonaro, o ex-ministro Paulo Guedes também citava o fim dessa isenção como opção para elevar a arrecadação.