Técnico do bota é o nº1 do futebol brasileiro, que tem mais estrangeiros entre os melhores
artur e a malta
artur e a malta
O melhor técnico do futebol brasileiro em 2024 é estrangeiro. O segundo melhor, também. E o terceiro, como os outros dois, não nasceu no Brasil. Não era inesperado que Artur Jorge, campeão da Libertadores e do Brasileirão pelo Botafogo, fosse apontado como o melhor treinador da temporada. Mas se em 2018, na primeira vez que o GLOBO publicou o seu Ranking de Treinadores, alguém dissesse que todo o pódio seria ocupado por estrangeiros, haveria quem duvidasse.
Há seis anos, em todo fim de temporada, o GLOBO publica levantamento que conta todos os jogos e campeonatos oficiais disputados por todos os treinadores que foram efetivados por um time da Série A ou B durante o ano. São avaliados, com base na dificuldade de cada partida ou o torneio (veja as regras completas de pontuação no QR code), técnicos que tenham trabalhado ao menos na metade dos meses do ano (por esse motivo Filipe Luís, que assumiu o Flamengo em outubro, está fora).
No primeiro resultado, quando Renato Gaúcho foi apontado como o melhor técnico de 2018, o estrangeiro mais bem colocado era Diego Aguirre, hoje no Peñarol-URU, que ficou em 12º lugar pelo trabalho realizado no São Paulo na época.
maioria no top-10
Seis anos depois, a realidade é completamente diferente. Os técnicos estrangeiros não só são numerosos, como são os melhores. Os portugueses Artur Jorge, do Botafogo e Abel Ferreira, do Palmeiras e o argentino Juan Pablo Vojvoda, do Fortaleza, formam o primeiro pódio 100% estrangeiro do ranking. Entre os seis primeiros colocados, só há um brasileiro: Tite, que foi demitido do Flamengo em setembro.
Pelo segundo ano consecutivo, a legião de fora do país forma maioria no top-10, com seis representantes em cada temporada. Chama a atenção que apenas Abel e Vojvoda se repetem: além dos dois, em 2023 os mais bem colocados eram Coudet (Internacional), Caixinha (Bragantino), Luís Castro (Botafogo) e Sampaoli (Flamengo).
A vitória de Artur Jorge também coloca os portugueses no domínio histórico da premiação. Venceram quatro vezes, contra apenas três dos brasileiros.
Retrato do mercado nos últimos anos no futebol brasileiro, o Ranking de Treinadores mostra que a passagem de Jorge Jesus pelo Flamengo abriu os olhos para os técnicos de fora. Eles não só vieram em quantidade, mas mostraram qualidade, assumindo as principais equipes e conquistando títulos. Para citar os dois principais, a Libertadores e o Brasileirão, vencidas pelo líder Artur Jorge em 2024, foram quatro conquistas de técnicos estrangeiros contra duas de brasileiros em cada competição desde 2019. Ou seja, oito taças em doze.
Exatamente o feito do português natural de Braga, de 52 anos, apontado pelo GLOBO como o melhor à beira do campo em 2024, com pontuação muito superior a dos rivais. Com uma carreira promissora, mas que só encontrou o futebol profissional em 2022, no Braga, e que teve o Botafogo como destino em abril deste ano, Artur Jorge dirigiu o clube por 55 jogos, sendo 31 vitórias, 15 empates e 9 derrotas.
Dos feitos mais impressionantes, o técnico, que ainda negocia se ficará no alvinegro em 2025, levou o time a uma impressionante a reta final do Brasileirão, com vitórias consecutivas contra Palmeiras, Inter e São Paulo, que deram o título nacional ao Botafogo após 29 anos. No meio disso, como se não bastasse, venceu uma final de Libertadores épica (3 a 1, contra o Atlético-MG), em que boa parte dos louros da vitória partiram de sua corajosa decisão de não mexer no time após a expulsão de Gregore, aos 40 segundos.
"Não há vitória sem coragem", costuma repetir o comandante, treinador mais vitorioso do Brasil em 2024.