Ans adota diretriz para planos de saúde sobre câncer de mama
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) acatou a recomendação de entidades médicas e ...
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) acatou a recomendação de entidades médicas e incluiu no chamado Manual de Boas Práticas do Programa de Certificação em Atenção Oncológica (Oncorede) a exigência de que as operadoras de planos de saúde realizem exames de mamografia e rastreamento individualizado do câncer de mama em mulheres a partir dos 40 anos, e não apenas aos 50 anos.
É a primeira vez que a ANS cria uma orientação em relação à faixa etária de rastreamento de câncer de mama, embora todas as mulheres possam fazer mamografia com o pedido de um médico. Mesmo assim, até agora muitos planos recusavam o exame para mulheres com menos de 50 anos.
Selo de qualidade
A mudança segue uma tendência global de antecipar o rastreamento do câncer de mama. Estudos científicos mostram que iniciar o acompanhamento aos 40 anos e realizar exames a cada um ou dois anos pode reduzir as mortes significativamente. Cerca de 44% dos casos e 22% das mortes decorrentes da doença no Brasil são de mulheres com menos de 50 anos, segundo dados da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama).
Embora as operadoras de planos de saúde já fossem obrigadas a cobrir a mamografia mediante pedido médico, muitas pacientes enfrentavam o risco de ter seus pedidos negados e não autorizados. Agora, os prestadores de serviços de saúde que quiserem obter um selo de qualidade no atendimento oncológico terão que atender à nova regra.
Entidades médicas veem o rastreamento da mamografia anual para todas as mulheres assintomáticas a partir dos 40 anos como "padrão ouro". Isso porque se alinha às diretrizes internacionais mais modernas A coordenadora da Comissão Nacional de Mamografia (CNM) do Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR), Ivie Braga de Paula, o Brasil tem uma particularidade importante: a distribuição etária do câncer de mama é diferente da observada em regiões mais desenvolvidas, como Estados Unidos e países da Europa.
" No Brasil, a proporção de mulheres com câncer de mama antes da menopausa, ou seja, abaixo dos 50 anos, é maior do que nesses países " disse.
Ficou definido pela ANS que mulheres entre 50 e 69 anos passem a ser contatadas, por meio de busca ativa, a cada dois anos, para realizar a mamografia. Já para aquelas acima de 74 anos, o rastreamento deve ser individualizado, conforme a expectativa de vida da população feminina. Outra recomendação prevista é que mulheres com risco aumentado para o câncer de mama, independentemente da idade, também poderão ser incluídas no rastreamento individualizado oferecido pelos planos de saúde.