Vexia quer disputar com ‘gringas’ em investigações
Um ano após comprarem a empresa de "outsourcing" Vexia do Grupo Mover (antiga Camargo ...
Um ano após comprarem a empresa de "outsourcing" Vexia do Grupo Mover (antiga Camargo Corrêa), a dupla Sami Arap e Francisco Ricardo Blagevitch está dobrando a aposta no naco mais charmoso do negócio: a investigação forense. Contratado em casos de fraude corporativa, desvio de recursos por executivos ou ataques cibernéticos, o serviço é dominado por firmas globais como Kroll e Control Risks e acaba atendendo sobretudo grandes companhias, com caixa para pagar longas investigações que chegam a custar R$ 1 mil por hora.
" Um dos nossos objetivos é se posicionar como uma empresa 100% brasileira. Não somos americanos que aterrissam no Brasil para fazer investigações sem falar a língua ou entender a cultura corporativa. A concorrência cobra caro e em dólar. A gente quer incomodar com preço mais competitivo em um mercado que, com a explosão de ataques cibernéticos, é um oceano para pescar " disse Arap.
Lava-Jato
A Vexia nasceu há mais de duas décadas dentro da Camargo Corrêa, primeiro prestando serviços de backoffice (como contabilidade e financeiro) para empresas do próprio grupo. A área de investigação forense surgiu há pouco mais de uma década, a tempo de a Vexia auxiliar o conglomerado a investigar internamente os fatos revelados pela Lava-Jato. A área responde por cerca de 20% da receita da Vexia, mas o objetivo é ampliar essa fatia.
Para bater na porta de clientes, a firma criou uma "suíte" de serviços que vão da criação de canais de denúncia a uma ferramenta de monitoramento de governança de IA dentro de corporações, passando pela varredura de informações pessoais de executivos que possam estar à venda na chamada "deep web" e pela recuperação de arquivos destruídos, explicou Alvaro Villalobos, gerente de compliance.
" Hoje, esse mercado é restrito a empresas de muito poder aquisitivo e dominado por poucas firmas. A gente quer acessar o middle market (empresas de médio porte) " explicou Diego Müller, diretor de GRC (governança, risco e conformidade).
Arap e Blagevitch compraram a Vexia das mãos da Mover em um processo que durou meses e atraiu interessados como a própria Kroll e a Accenture. A companhia faturou R$ 50 milhões em 2023 e tem 300 funcionários.