Entregadores de aplicativo param por melhores condições de trabalho
Entregadores de plataformas como iFood, Uber e 99Taxi iniciaram ontem uma greve nacional ...
Entregadores de plataformas como iFood, Uber e 99Taxi iniciaram ontem uma greve nacional de dois dias, reivindicando o estabelecimento de uma taxa mínima de R$ 10 por entrega, o aumento do valor pago por quilômetro rodado de R$ 1,50 para R$ 2,50, a limitação do raio de atuação das bicicletas para até três quilômetros e o recebimento de valor cheio para corridas agrupadas.
O SindimotoSP, que representa entregadores e motoboys, disse que a greve foi uma forma de chamar a atenção do poder público para problemas recorrentes da categoria, como abandono das empresas em caso de acidentes. O sindicato diz haver uma "geração inteira de trabalhadores morrendo nas ruas ou ficando com sequelas físicas irreversíveis, passando fome ou tendo suas motocicletas apreendidas" porque não conseguem sequer comprar itens de segurança, como capacetes, ou regularizar documentos.
Em nota, a entidade disse que a categoria sente "total abandono do governo federal" e afirma que "as empresas é que ditam normas e regras".
Nicolas Santos, integrante do Comando Nacional do Breque e da Aliança Nacional dos Entregadores por Aplicativos " que está entre os organizadores do movimento " explica que as condições de trabalho atuais aumentam a jornada e impactam a qualidade do trabalho dos entregadores.
A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa empresas como iFood, 99 Táxi e Uber, afirmou que as associadas mantêm canais de diálogo contínuo com os entregadores. E citou levantamento do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) mostrando que a renda média de um entregador do setor cresceu 5% acima da inflação entre 2023 e 2024, chegando a R$ 31,33 por hora trabalhada.
O iFood disse estar atento ao cenário econômico e estudar "a viabilidade de um reajuste para 2025". Segundo a empresa, todos os seus entregadores têm acesso a seguro pessoal gratuito para casos de acidentes, plano de saúde e programas de educação, além de apoio jurídico e psicológico em casos de discriminação, assédio ou agressão.
A Rappi disse que se posicionaria por meio da nota emitida pelo Movimento Inovação Digital (MID), que reúne mais de 180 empresas. A entidade afirmou que permanece "à disposição para contribuir com a construção de soluções equilibradas."