Justiça dos eua aprova plano de reestruturação da gol
A Justiça dos Estados Unidos aprovou ontem o plano de reestruturação da Gol, informou a ...
A Justiça dos Estados Unidos aprovou ontem o plano de reestruturação da Gol, informou a empresa em fato relevante enviado ao mercado. No documento, a companhia aérea destaca que espera concluir o processo de Chapter 11 " instrumento equivalente à recuperação judicial brasileira " e sair da reestruturação em junho.
As ações, que avançavam 2% na B3, saltaram 12% assim que a informação foi divulgada, e as negociações chegaram a ser interrompidas. Os papéis fecharam em alta de 12,09%, a R$ 1,02.
No comunicado, a Gol diz que "avançou significativamente na melhoria de sua posição competitiva, fundamentos financeiros e desempenho operacional" e que, após sair da reestruturação, terá "uma forte posição de liquidez de aproximadamente US$ 900 milhões."
A Gol destacou ter garantido US$ 1 bilhão em financiamento na modalidade debtor in possession (DIP), quando novos credores têm precedência sobre os demais, o que reforçou a liquidez e lhe permitiu reinvestir na frota.
A empresa também lembrou que garantiu um financiamento de US$ 1,9 bilhão, junto a credores e investidores, para deixar o processo de recuperação. Os recursos servirão para quitar o DIP, além de representar liquidez adicional.
Foi marcada uma assembleia geral para o próximo dia 30, a fim de aprovar o aumento de capital previsto no plano. Isso porque a reestruturação prevê que parte do endividamento " até cerca de US$ 1,6 bilhão da dívida financiada antes do processo e até US$ 850 milhões de outras obrigações " será reduzida pela conversão das dívidas em ações.
Ainda não está ‘blindada’
Dessa forma, os credores terão direito a papéis da companhia. A nova emissão de ações precisa ser referendada pelos atuais acionistas, que têm preferência na compra dos papéis. A Abra Group, holding controladora da aérea brasileira e da colombiana Avianca, continuará como a maior acionista indireta.
Além disso, a Gol fechou acordos com credores. Com autoridades governamentais brasileiras, foram negociados redução de impostos e outros passivos, de aproximadamente US$ 750 milhões. Já com arrendadoras de aeronaves, foi fechado um acordo de US$ 1,1 bilhão. E foram negociadas mudanças nos contratos de compra com a Boeing, o que, segundo a Gol, garante US$ 262 milhões em concessões e liquidez até 2029.
" Os números apresentados pela Gol são bastante promissores. A companhia teve bastante êxito nas negociações " diz o advogado Felipe Bonsenso, especialista no setor aéreo e sócio de Bonsenso Advogados. " Mas não significa que ela está blindada de dificuldades futuras.
A Gol e suas subsidiárias entraram com o processo do Chapter 11 no Tribunal de Falências dos EUA, em Nova York, em janeiro do ano passado.