Novo modelo para formar talentos
Embora haja uma série de desafios à formação de mão de obra com o advento da inteligência ...
Embora haja uma série de desafios à formação de mão de obra com o advento da inteligência artificial (IA), algumas iniciativas começam a ganhar força com projetos em universidades e a criação de programas privados e de cursos de graduação integrados em ecossistemas de startups.
Marcelo Viana, diretor-geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), destaca o curso de graduação da instituição, o Impa Tech, financiado pelo governo federal e pela Prefeitura do Rio. O objetivo, explica, é formar profissionais para suprir a carência de mão de obra na área:
" O Brasil já não estava preparado antes das atuais mudanças tecnológicas começarem a acontecer. Há muito tempo, temos uma carência de mão de obra. Só vão sobreviver as profissões que exigem diferentes tipos de skills (habilidades). E, por isso, nossa graduação visa dar uma formação muito ampla e diversa aos estudantes. A universidade precisa prestar atenção nas demandas do mercado, e as empresas precisam se aproximar da universidade para colaborar no processo de formação.
Ele lembra que o Impa Tech funciona no Porto Maravalley, o centro de inovação criado pela Prefeitura do Rio na Zona Portuária.
" Funciona num ecossistema de inovação desde a concepção, com a interação com empresas como parte da formação. É parte do DNA do programa. Os alunos são selecionados por meio de olimpíadas do conhecimento, permitindo ter alunos do país todo.
Para Rafael Segrera, CEO da Schneider Electric América do Sul, é evidente a falta de mão de obra qualificada. O executivo, porém, ressalta a importância do diálogo entre a academia e as empresas, com o suporte do governo. A Schneider Electric, por exemplo, chegou a 2024 com parcerias com 150 escolas, impactando 53 mil pessoas do ensino técnico e profissionalizante. A meta é chegar a um total de 200 mil pessoas até 2027.
" O Brasil perdeu oportunidades, agora há uma. Por isso, há uma questão de velocidade. Só os que vão mais rápido conseguirão aproveitar. A transformação da educação é fundamental, mas precisamos de trabalho colaborativo " diz Segrera.
A Qualcomm criou, com a Unicamp, programa de bolsas para mulheres que estudam na universidade, chamado Women in STEM (sigla em inglês para ciências, tecnologia, engenharia e matemática). O recurso permite que elas estudem em tempo integral.
Carlos Augusto Lopes, vice-presidente da IBM Consulting América Latina, destaca que a companhia tem um programa global para capacitar 30 milhões de pessoas até 2030, sendo 2 milhões até 2026.