Golpe no pix teve desvios até para grandes bancos
Os recursos desviados por meio do golpe facilitado por um funcionário da C&M Software, ...
Os recursos desviados por meio do golpe facilitado por um funcionário da C&M Software, empresa de tecnologia que conecta bancos menores e fintechs aos sistemas do Banco Central (BC), como o Pix, foi repassado a contas de mais de 25 instituições financeiras, de acordo com interlocutores a par do assunto.
Aquele que já é considerado o maior golpe ao sistema financeiro do país desviou cerca de R$ 800 milhões, a maior parte já recuperada.
Segundo relatos, a maior parte dos recursos foi repassada a três instituições de pagamento que foram suspensas de forma cautelar do Pix pelo BC: Transfeera, Nuoro Pay e Soffy. Mas o restante foi pulverizado para contas de mais de duas dezenas de participantes diretos ou indiretos do Pix, inclusive grandes bancos. O número pode chegar a 40.
Dentre as três suspensas, o caso que mais chama a atenção em análises internas é o da Soffy. A empresa foi criada em junho de 2020, mas aderiu ao Pix apenas no fim de abril. Só ela teria recebido R$ 270 milhões dos valores desviados. A Soffy e a Nuoro Pay não são autorizadas pelo BC, mas podem participar do Pix sob a responsabilidade de instituições autorizadas. A suspensão cautelar pode durar até 60 dias.
Um interlocutor com conhecimento do assunto relata que os registros das operações fraudulentas tinham indícios de irregularidade, o que mostra possível falha de segurança nos mecanismos de controle dos bancos e instituições de pagamento detentores das contas que receberam os recursos.
O horário da transferência, de madrugada, seria outro sinal de preocupação.
Inicialmente, achava-se que o golpe tinha se iniciado por meio de um ataque hacker, mas as investigações da Polícia Civil de São Paulo apontam que o acesso aos sistemas da C&M Software foi feito por um funcionário da empresa, que teria sido aliciado pelos criminosos em troca de R$ 15 mil. João Nazareno Roque, de 48 anos, foi preso na sexta-feira.
Procurado, o Banco Central não respondeu.
A Transfeera disse, em nota, que está colaborando com as autoridades para liberação do Pix: "Reiteramos nosso compromisso com a autoridade máxima financeira do País e com nossos clientes, sempre prezando pela segurança do Sistema Financeiro Nacional."
A Nuoro disse que respeita as normas do Banco Central, e que adota uma postura colaborativa, com respostas tempestivas e transparentes: "A Nuoro mantém diálogo com as áreas técnicas do Banco Central e informa que medidas legais e administrativas estão em curso, permanecendo à disposição para colaborar com a elucidação dos fatos e com a expectativa de breve restabelecimento de sua normalidade operacional".
A Soffy não se manifestou.
R$ 270
milhões
É o total que teria sido desviado para a Soffy, suspensa de forma cautelar pelo Banco Central