Uso de bancos pela internet explode nos últimos anos
O Pix vem fazendo cada vez mais parte no dia a dia dos brasileiros e tornando os ...
O Pix vem fazendo cada vez mais parte no dia a dia dos brasileiros e tornando os aplicativos de banco uma ferramenta essencial para vendedores e consumidores. Não é à toa que o acesso a instituições financeiras foi o uso da internet que mais cresceu no último ano: 71,2% dos brasileiros usaram a rede para essa finalidade em 2024. No ano anterior, esse percentual era de 66,7%, enquanto em 2022 era de 60,1%. Cerca de 22 milhões de pessoas passaram a acessar serviços bancários on-line em apenas dois anos.
Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua de Tecnologia da Informação e Comunicação (Pnad TIC), divulgada ontem pelo IBGE.
Segundo pesquisadores do instituto, nenhum uso teve expansão tão rápida em um período tão curto. Na visão de Luca Belli, professor da FGV Direito Rio e coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV, esse crescimento se deve, sobretudo, à popularização do Pix:
" O celular é a principal ferramenta de pagamentos hoje em dia. Isso é um efeito positivo do Pix, que conseguiu quebrar o monopólio de empresas americanas e diminuiu o custo das transações eletrônicas. Assim, houve um crescimento dos apps de bancos brasileiros, que não impõem taxas para esse serviço. Isso gerou uma adoção massiva de pagamentos eletrônicos e hoje qualquer comerciante precisa ter uma conta em aplicativo para acessar o Pix.
cresce compra on-line
Dados do Banco Central (BC) corroboram essa visão. Eles mostram que foram feitas 63,4 bilhões de transações por Pix em 2024, com aumento de 52% em relação ao ano anterior. Foi o instrumento de pagamento que mais cresceu no período.
Mas não é só o Pix que vem crescendo. De acordo com pesquisa da Febraban, entidade que representa os grandes bancos, 82% das transações bancárias dos brasileiros foram feitas por canais digitais em 2024. Isso reflete uma mudança comportamental perante a digitalização dos serviços.
Essa mudança também está presente no mundo do comércio. O uso da internet voltado para comprar bens e serviços subiu de 44,7% em 2023, para 48,1% em 2024. É um comportamento que se reflete nos modelos de negócios do varejo, já que cada vez mais lojas vêm oferecendo seus produtos por sites e aplicativos.
" A pandemia popularizou e democratizou muito o comércio online, que virou muito conveniente. Não só o usuário se acostumou ao e-commerce, como também se multiplicaram as plataformas disponíveis, inclusive com o ingresso de várias chinesas no país. Houve ainda uma melhora da qualidade dos sites e da infraestrutura de distribuição " explicou Belli.
O uso de serviços públicos pela internet também teve aumento considerável, de 35,9% em 2023 para 38,8%. Com plataformas como o Gov.br, que concentra inúmeras funcionalidades, fica cada vez mais necessário se incluir no mundo digital.
avanço do streaming
Ainda assim, a maior finalidade do uso da internet continua sendo conversar por chamadas de voz ou vídeo: 95% dos entrevistados pelo IBGE dizem usar a internet para este fim. Em seguida, vem o envio de mensagens de texto, voz ou imagens por aplicativos, recurso utilizado por 90,2% dos usuários.
Em relação aos dispositivos, o celular segue como o principal meio de acesso à internet. Uma mudança é que, em 2024, 53,3% de toda a população de 10 anos ou mais que usa internet fez o acesso à rede a partir de TVs.
" As TVs se tornaram aparelhos usados diretamente para o streaming. Tanto é que aplicativos de streaming estão vindo pré-instalados nos aparelhos novos " disse Ronaldo Lemos, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro.
Por outro lado, o percentual de domicílios com televisão que tinham acesso à TV por assinatura caiu para 24,3% em 2024, menor nível da série. Em 2016, o principal motivo para não contratar o serviço era o preço, segundo o IBGE. Agora, a maior parte dos entrevistados disseram não ter interesse. Para Lemos, o "streaming funciona como um substituto" para a TV a cabo.
Já o acesso à internet a partir do computador foi caindo de 63,2%, em 2016, para 46,2%, em 2019, até atingir o menor patamar em 2024 (33,4%). A quantidade de lares com este aparelho também está diminuindo: passou de 39% em 2023 para 38,6% no último ano.
Para Belli, da FGV, a principal barreira para o computador é o custo elevado, tanto do aparelho quanto dos softwares. Por isso, o celular segue como o campeão entre os dispositivos usados para acessar a internet " é o único aparelho cuja presença continua crescendo na Pnad TIC, alcançando 97% dos domicílios em 2024. Belli lembrou que boa parte da população usa internet a partir de operadoras que oferecem planos com uso gratuito a aplicativos de redes sociais:
" O usuário é incentivado a usar a vontade as aplicações pré-definidas pela operadora, enquanto outros usos são muito caros. Assim, a maior parte da população não é incentivada a usar o computador, e sim a ficar nas redes sociais.