Leilão de títulos de construção na faria lima rende r$ 1,6 bi
A prefeitura de São Paulo arrecadou R$ 1,668 bilhão ontem em um leilão de títulos que ...
A prefeitura de São Paulo arrecadou R$ 1,668 bilhão ontem em um leilão de títulos que permitem novas construções na Avenida Faria Lima, reduto do setor financeiro, e arredores. Foram leiloados 57,6% dos papéis, sem ágio: 94.811 dos 164.509 Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), que estavam sendo oferecidos. Esses títulos permitem que empreiteiras ergam prédios mais altos, de até 4,8 vezes a área do terreno em área construída. Sem os certificados, o limite é equivalente a uma vez a área do próprio lote.
A corretora Ágora foi a maior compradora, com a aquisição de 37.785 títulos, arrematados pelo preço mínimo, de R$ 17.601 cada. As outras instituições que levaram papéis foram Genial, BTG, XP Investimento, Safra e Itaú.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), classificou o resultado como "ótimo" e disse que decisões judiciais recentes, bem como a taxa de juros elevada (atualmente em 15% ao ano), podem ter sido alguns dos fatores para a disputa menor que a esperada.
melhoria em paraisópolis
Na última quinta-feira, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) ajuizou ação contra trechos da lei que embasaram o leilão, colocando o certame em risco. No dia seguinte, liminar de um desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) suspendeu a norma, mas a decisão foi revogada na segunda-feira, liberando o leilão.
O valor arrematado foi o maior de todos os cinco leilões já feitos para esta operação urbanística. A última oferta pública ocorreu em 2019. Nunes reclamou de "ataques" do Ministério Público:
" A gente não pode dizer que não teve grande sucesso, R$ 1,7 bilhão é um valor bastante elevado. Agora, o mercado vai se movimentando de acordo com o sentimento. Ter uma decisão judicial na sexta-feira, com um leilão para acontecer na terça, pode ser que tenha gerado algum desconforto no mercado. O mercado gosta de segurança jurídica.
" Em outros leilões, o mercado imobiliário competiu muito com o mercado financeiro, no qual muitas empresas compravam Cepacs visando rendimento (em mercado secundário). Mas com a taxa de juros do jeito que está, o mercado financeiro começa a calcular mais para saber onde vai ter a melhor rentabilidade " opina Giancarlo Nicastro, CEO da SiiLa, que monitora escritórios corporativos de alto padrão no Brasil, que também vê sinais de alerta. " Os escritórios estão chegando no limite: tem custo de construção, de Cepac e do terreno, a conta fica muito espremida.
A Faria Lima e trechos de avenidas que abrigam os escritórios de grandes empresas e alguns dos residenciais mais caros da cidade fazem parte de uma Operação Urbana Consorciada, que são instrumentos urbanísticos em áreas cujo desenvolvimento é incentivado. Para construir prédios altos nesta região, é preciso comprar Cepacs. Cada certificado dá direito a construir uma determinada área, que varia dependendo do local.
O recurso arrecadado será usado prioritariamente para melhorias na favela de Paraisópolis, que desde o ano passado passou a integrar a lista de locais beneficiários do dinheiro pago por construtoras na região da Faria Lima.
sai o beach tennis
Dinheiro arrecadado com Cepacs em geral já foi aplicado em obras de construção de habitações de interesse social, pontes, reformas de avenidas, alargamento de ruas, desenvolvimento de ciclovias e transporte público. Um exemplo foi a implementação da ciclopassarela que liga o Butantã a Pinheiros, inaugurada em janeiro.
Os títulos comprados no leilão de ontem devem incentivar construções sobretudo no perímetro de Pinheiros, nos arredores do Largo da Batata, e da Hélio Pellegrino, áreas onde ainda há estoque maior de terrenos a serem construídos ou de prédios baixos que podem ser ampliados. Muitos desses terrenos ou imóveis já foram comprados por incorporadoras, que aguardavam a disponibilização dos Cepacs para tocar projetos. Nessa área há demanda para escritórios e para residenciais.
Com a venda pública, terrenos hoje sem edificações, como aqueles usados por quadras de beach tennis e outros esportes na areia, devem desaparecer para dar lugar a prédios. Uma fonte explica que a profusão de quadras na região ocorreu em razão do melhor rendimento. O importante era "guardar o terreno" enquanto os novos Cepacs não fossem disponibilizados.