Leilão da faria lima atrai construção de projetos de luxo
O leilão de certificados que permitem novas construções na Avenida Faria Lima, centro ...
O leilão de certificados que permitem novas construções na Avenida Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, realizado na última terça-feira, deve regularizar um edifício embargado desde 2023 no bairro do Itaim Bibi, além de possibilitar a construção de um novo shopping de luxo e de residenciais de alto padrão na região.
No leilão, a prefeitura vendeu 94.811 dos 164.509 Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) que foram oferecidos, o equivalente a pouco mais de 57% do total, com arrecadação de R$ 1,6 bilhão para os cofres municipais. Os títulos possibilitam que as empreiteiras ergam prédios mais altos que o permitido em lei.
A lista de compradores não é divulgada, já que os títulos são adquiridos por corretoras, mas o GLOBO apurou com fontes do mercado imobiliário e empreiteiras quem foram alguns dos adquirentes.
Segundo fontes do mercado, a JHSF teria comprado parte dos títulos, que devem ser usados para colocar de pé o Shops Faria Lima, um complexo comercial de luxo nos moldes do Shops Jardins, com foco em gastronomia e grifes nacionais e internacionais.
‘espaços diferenciados’
O empreendimento ficaria na esquina da Faria Lima com a Leopoldo Couto de Magalhães, uma das ruas com residenciais mais caros na cidade, a poucos metros do Parque do Povo. A área é descrita pela própria empresa como local que "se destaca pelos espaços diferenciados, pela arquitetura sofisticada e paisagismo único". Procurada, a JHSF afirmou que não iria comentar o assunto no momento.
As incorporadoras Trisul e Even compraram títulos no leilão. As duas já têm terrenos na região, onde vão construir residenciais de alto padrão. Em nota, a Even confirmou a compra e afirmou que "oportunamente divulgará os projetos". A Trisul tem terrenos em Pinheiros, bairro onde termina a Faria Lima.
É da Even o Faena São Paulo, residencial de luxo na esquina da Faria Lima com a Avenida Eusébio Matoso, com unidades que vão de 286 a 1.000 metros quadrados e a grife da Faena, referência em hotelaria de luxo no exterior. O local é anunciado como "o projeto imobiliário mais sofisticado da história" da cidade e deve incluir, além das residências, um hotel e um centro artístico e cultural. A previsão de entrega é em 2027.
O leilão foi realizado no âmbito da Operação Urbana Consorciada Faria Lima, um instrumento urbanístico criado há 30 anos para incentivar o desenvolvimento da região. Cada Cepac dá direito a construir uma determinada área adicional, que varia dependendo do local.
O recurso arrecadado será usado prioritariamente para melhorias na favela de Paraisópolis, que desde o ano passado passou a integrar a lista de locais beneficiários do dinheiro pago por construtoras na região da Faria Lima.
Outra compradora de Cepacs foi a Construtora São José, que não pretende erguer novo empreendimento, mas usar os títulos para regularizar um edifício existente. Em 2023, o edifício St Barths, que fica na Rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, no Itaim Bibi, foi embargado pela Justiça após pedido da prefeitura por ter sido construído de forma irregular.
A obra estava quase concluída, faltando apenas esquadrias, pintura e outros acabamentos internos. O prédio tem apartamentos de 380 a 1.031 metros quadrados e até nove vagas na garagem por unidade. Como o edifício está inserido na Operação Urbana Consorciada Faria Lima, era necessário que a empresa tivesse comprado Cepacs suficientes para construir na área, o que ela não fez " faltavam cerca de 3.700 certificados.
A empresa havia comprado Cepacs para construir na região anos atrás, mas eles foram usados para outro prédio, que fica na mesma rua. Um alvará deu aval ao novo projeto, mas não a autorização para início de obras. Mesmo assim, a empreiteira deu início à construção, e apartamentos chegaram a ser anunciados na internet.
compra de títulos
Neste leilão, a São José comprou 3.800 títulos a fim de regularizar a situação. Nenhuma unidade do empreendimento havia sido comercializada. Mesmo assim, será necessário que o município peça à Justiça a liberação da obra.
" Na semana que vem, faremos a vinculação dos títulos e, na sequência, ingressaremos com a regularização mediante a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL). O imóvel já atingia integralmente todas as disposições urbanísticas, e a construção está praticamente pronta, 82% executada. Existe a possibilidade de regulamentação, mas o imóvel continua embargado por conta de decisão judicial " afirmou Edgard Hermelino Leite, advogado da empresa.
O GLOBO questionou a SMUL se será possível essa regularização mediante a compra dos certificados, mas a pasta não respondeu.