Na disputa com chineses, gm recorre a carro... chinês
A americana General Motors (GM) decidiu entrar na briga com os chineses pela atenção do ...
A americana General Motors (GM) decidiu entrar na briga com os chineses pela atenção do consumidor brasileiro interessado em carros de entrada puramente elétricos. A GM está vendendo no país seu Chevrolet Spark por R$ 159.900, o elétrico mais barato da montadora oferecido no país. Ele vai competir com o Dolphin, da BYD, que está na mesma faixa de preço no país.
A estratégia da GM chama a atenção: o Spark é ele mesmo um carro chinês, fruto da parceria entre a GM e as montadoras chinesas Saic e Wuling. Ele é conhecido no país asiático como Baojun Yep Plus. Inicialmente, os Sparks serão importados da China, mas a novidade anunciada pela GM na semana passada é que o carro será montado no Brasil.
O Spark "brasileiro" será montado na antiga fábrica da Troller, que pertencia à Ford. A Ford adquiriu a Troller em 2007 e a unidade, localizada em Horizonte, Ceará, produzia o jipe T4 até o encerramento das atividades da marca no Brasil, em 2021.
A unidade foi assumida pelo grupo Comexport, empresa brasileira de comércio exterior, que usa a unidade para montar veículos de diferentes marcas, numa nova frente de negócios. A unidade foi rebatizada de Polo Automotivo do Ceará (Pace).
Estratégia de eletrificação
A fábrica receberá o Spark em kits previamente montados na China, conhecidos como Semi Knocked Down (na sigla SKD). A fabricação deve começar no fim deste ano e a expectativa é produzir pelo menos 400 unidades por mês.
Segundo especialistas, a montagem nacional do Spark é um avanço importante da estratégia da GM de eletrificação no Brasil fortalecendo sua presença no segmento de elétricos puros, que hoje está dominado pelas marcas chinesas.
Com a produção local, ainda que com SKDs, a GM fica ao lado das montadoras GWM, que já inaugurou sua unidade em Iracemápolis, em São Paulo, e da BYD, que vai produzir também numa antiga fábrica da Ford, em Camaçari, na Bahia. Na prática, a GM trouxe um modelo desenvolvido na China para concorrer com as montadoras chinesas no Brasil.
"Essa iniciativa representa o primeiro passo rumo à industrialização da tecnologia elétrica sob a marca Chevrolet no Brasil, ampliando a oferta de soluções de mobilidade e fortalecendo a cadeia de fornecedores local", disse a General Motors em comunicado.
Recentemente, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que representa as montadoras já instaladas no país, criticou o pedido da BYD (que não é associada da Anfavea) para que os kits SKDs e CKDs tivessem imposto reduzido pelo governo. A BYD vai usar esse sistema de montagem em Camaçari até que haja a nacionalização de peças. O governo determinou cota de importação de até US$ 463 milhões para esses kits importados, até 2026, e retomada do imposto de 35% em janeiro de 2027.
Em entrevista para apresentar os números de agosto, na semana passada, o presidente da Anfavea, Igor Calvet,disse que a entidade não é contra a produção em SKD ou CKD. A Anfavea, explicou ele, se opôs à redução do imposto de importação para estes kits. Ele disse que o problema é quando se reduz o imposto para grande escala de produção em SKD/CKD, a cadeia produtiva nacional é prejudicada.