Presidente da petrobras prevê ‘2026 difícil’ para a estatal
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou ontem que "2026 será um ano difícil" ...
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou ontem que "2026 será um ano difícil" e há preocupação na estatal em relação ao recuo da cotação internacional do barril de petróleo, o que está levando a empresa a otimizar custos. A Petrobras divulgou na quinta-feira o seu novo plano de negócios, para os anos de 2026 a 2030, prevendo investir US$ 109 bilhões no período (R$ 583,1 bilhões), uma redução de quase 2% em relação aos US$ 111 bilhões (R$ 593,85 bilhões) do quinquênio anterior. Em transição energética, houve um corte de 20%.
Em entrevista coletiva, Magda garantiu que o objetivo de sua gestão é uma empresa lucrativa:
" Os desafios aumentam. Estamos em um mundo instável. O preço do petróleo flutua. Houve uma queda de US$ 20 por barril desde o ano passado. Isso significa que hoje, em novembro, temos 75% do valor do Brent, que é o que nos remunera, em relação ao início de 2024. Por isso, planejamos medidas de racionalização e simplificação de projetos. Estamos levando projetos de volta para a prancheta, otimizando custos. A economia estimada é de US$ 12 bilhões, uma redução de 8,5% em relação ao ano anterior.
DIVIDENDOS
Magda disse as projeções para o preço do petróleo indicam dificuldades no ano que vem.
" O ano de 2026 será um ano difícil, segundo os cenários. Há quem diga que o petróleo pode chegar a US$ 55 no ano que vem. Por isso, vamos analisar, a cada três meses, a financiabilidade de US$ 10 bilhões em projetos que terão de disputar espaço em função do câmbio, do preço do Brent e do impacto desses fatores na financiabilidade da companhia.
A Petrobras projeta preço médio do petróleo a US$ 63 o barril no ano que vem, e de US$ 70 entre 2027 e 2030.
" Queremos uma Petrobras lucrativa, que gere valor para a sociedade. Não queremos uma companhia endividada e temos compromisso com a manutenção da saúde fiscal da empresa " disse Magda, afirmando que o nível de endividamento e os dividendos estão mantidos.
A Petrobras manteve o limite de dívida bruta em US$ 75 bilhões e prevê dividendos entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões entre 2026 e 2030. É uma faixa menor que o plano anterior, que previa até US$ 55 bilhões. O diretor Financeiro e de Relações com Investidores da estatal, Fernando Melgarejo, disse que a empresa não vê espaço para pagamento de dividendos extraordinários.
Dos US$ 109 bilhões previstos para os próximos cinco anos, US$ 91 bilhões (R$ 486,8 bilhões) são em projetos em implantação, e US$ 18 bilhões (R$ 96,3 bilhões) estão na carteira de avaliação.
Na área de exploração e produção, a estatal prevê investir US$ 7,1 bilhões entre 2026 e 2030 " valor menor que os US$ 7,9 bilhões do plano anterior. Estão programados 49 novos poços, abaixo dos 51 anteriores.
" Com preços mais baixos do petróleo e a necessidade de responsabilidade fiscal, começamos a priorizar projetos. Não estamos descartando projetos, mas adequando a carteira de acordo com a necessidade atual " disse Magda. " Alguns poços exploratórios são uma necessidade, como o do Amapá, que tem maior potencial e valor. Já outros projetos têm maior risco, como áreas de novas fronteiras.
TRANSIÇÃO ENERGÉTICA
A estatal reduziu de US$ 16,3 bilhões (R$ 87,20 bilhões) para US$ 13 bilhões (R$ 69,55 bilhões) os projetos relacionados à transição energética. É uma queda de 20,24%, bem maior que os 2% do corte geral dos investimentos no novo plano de negócios.