Varejo cresceu acima do previsto em novembro com black friday
O comércio varejista brasileiro cresceu 1% em novembro do ano passado, após alta de 0,5% ...
O comércio varejista brasileiro cresceu 1% em novembro do ano passado, após alta de 0,5% em outubro. O resultado ficou acima do esperado por analistas de mercado, que projetavam leve expansão de 0,2% a 0,3%. Segundo economistas, a Black Friday, um alívio na inflação e o impulso do mercado de trabalho foram essenciais para o resultado.
No acumulado de 2025 até novembro, o varejo registrou expansão de 1,5%.
Foi o segundo crescimento mensal consecutivo, o que não acontecia desde o início de 2025. Segundo o gerente da Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE, Cristiano Santos, os indicadores de emprego, que seguiram robustos, com crescimento da massa de rendimento e do número de pessoas ocupadas, geraram maior renda disponível para o consumo.
Além disso, as vendas na Black Friday foram mais fortes e tiveram mais influência no comércio em 2025 do que nos anos anteriores. O movimento pode ser atribuído a uma antecipação de compras de Natal por parte dos consumidores. Para Geórgia Veloso, economista do FGV Ibre, a combinação dos descontos com outros fatores estruturais permitiram um desempenho do comércio melhor que o esperado:
" Novembro é um momento de consumo forte, com promoções especiais ao longo de todo mês, o que levou a uma alta expressiva principalmente em móveis e eletrodomésticos (+2,3%) e equipamentos de informática, que são muito ligados à Black Friday. Como são grupos que geralmente dependem do crédito e as condições não estavam tão boas, pode ser que as pessoas tenham esperado aquele momento para comprar esses produtos, além de uma antecipação das compras de Natal.
Ao momento de promoções se juntou o mercado de trabalho forte e o alívio da inflação, favorecendo o setor de alimentos e bebidas. Na pesquisa, o grupo hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo avançou 1%.
REUNIÃO DO COPOM
Claudia Moreno, economista do C6 Bank, avalia que os números do varejo não mudam a projeção de que a taxa básica de juros (Selic) será mantida em 15% na reunião do Copom este mês. E prevê que "o ciclo de cortes deve começar em março, com os juros chegando a 13% no fim de 2026".
Geórgia, do FGV Ibre, acredita que as compras de Natal antecipadas podem afetar o comércio em dezembro. Ela também não aposta em corte da Selic agora em janeiro.