Weg fará nova fábrica de baterias para armazenar energia
A multinacional brasileira Weg anunciou ontem que construirá uma nova fábrica de sistemas ...
A multinacional brasileira Weg anunciou ontem que construirá uma nova fábrica de sistemas de acumulação de energia com baterias em Itajaí, Santa Catarina. Os equipamentos poderão armazenar energia gerada de fontes renováveis, como solar e eólica. O custo da nova fábrica será de R$ 280 milhões e os recursos foram obtidos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) através do programa Mais Inovação.
Os sistemas de armazenamento de energia em baterias (conhecidos por Bess, na sigla em inglês) são uma alternativa para atender à demanda dos consumidores nos horários de pico com custo menor que o de alternativas como termelétricas, que são poluentes, e impedir apagões. O armazenamento é importante para a transição energética no Brasil, já que permite a integração de fontes renováveis à matriz elétrica e diminui o risco de curtailment, que é a redução forçada da geração em usinas renováveis (eólicas e solares), mesmo quando há capacidade instalada e condições ideais de produção, porque não há onde armazenar. Isso porque o sistema precisa equilibrar oferta e consumo constantemente. Se o consumo é menor que a produção de energia, fontes renováveis têm a geração cortada, o que na prática desperdiça energia.
De acordo com a Weg, a unidade será a mais moderna do país no segmento e a conclusão das obras está prevista para o segundo semestre de 2027. Serão criados 90 postos de trabalho e a nova planta ampliará a capacidade produtiva da Weg em sistemas Bess para até 2 GWh ao ano. Em 2025, o Brasil atingiu 1GW de capacidade de armazenamento.
Fábrica automatizada
A nova fábrica terá linhas automáticas e semiautomáticas de montagem, robôs móveis autônomos para movimentações internas, laboratório dedicado a testes, desenvolvimento e qualificação de produtos, e uma subestação de energia para simulação de condições reais de operação.
"É um investimento alinhado com o objetivo estratégico de posicionar a Weg e o Brasil de forma competitiva no cenário global de transição energética, mitigando riscos e fortalecendo a presença nacional nesse segmento em expansão", afirmou em nota o presidente da Weg, Alberto Kuba.
A queda do preço dos equipamentos de armazenamento em 90% na última década, segundo dados da consultoria Greener, impulsionou o setor. Hoje, uma indústria de pequeno porte pode ter seu próprio sistema por cerca de R$ 200 mil. Também são potenciais clientes fazendeiros que precisam de energia para irrigação e populações sem acesso à rede elétrica em regiões remotas, principalmente na Amazônia.
Os negócios nessa área devem somar ao menos R$ 22,5 bilhões até 2030, segundo a Greener, mas as cifras podem alcançar R$ 44 bilhões, estima a Associação Brasileira de Soluções em Armazenamento de Energia (Absae), se houver um marco legal que dê segurança às grandes empresas que já tocam projetos no país.