Seis empresas demonstram interesse no leilão do galeão
O governo federal anunciou ontem que seis empresas demonstraram interesse em participar do leilão ...
O governo federal anunciou ontem que seis empresas demonstraram interesse em participar do leilão de concessão do aeroporto internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, previsto para o próximo dia 30 de março, conforme antecipou o colunista do GLOBO Lauro Jardim. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, foi realizado um roadshow em parceria com a Casa Civil e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em que o governo apresentou às empresas detalhes do modelo de concessão e diretrizes contratuais.
Para o secretário Nacional de Aviação Civil, Daniel Longo, as reuniões cumpriram um papel fundamental para dar previsibilidade e segurança ao mercado.
" O roadshow foi uma oportunidade importante para apresentar, de forma transparente, os avanços do projeto e ouvir o mercado. Tivemos um diálogo qualificado, que reforça a confiança dos investidores e contribui para o sucesso do leilão do Galeão " destacou.
PRÓXIMO PASSO
O Galeão é o terceiro maior aeroporto do país. No ano passado, 17,5 milhões de passageiros passaram pelo aeroporto, que registrou 5,6 milhões em voos internacionais. Após a rodada de reuniões com as empresas, o próximo passo do processo de licitação do terminal será a realização de uma sessão pública de esclarecimentos no dia 26 de fevereiro, na B3, em São Paulo.
O leilão simplificado do aeroporto foi uma solução costurada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) com o governo, a Anac e o concessionário para resolver o problema financeiro do contrato, diante de projeções que não se confirmaram. Com lance mínimo de R$ 932 milhões, vencerá o leilão quem apresentar a melhor proposta econômica, definida pela contribuição inicial, ou seja, o consórcio que se comprometer a pagar o maior valor logo no início do contrato.
A empresa vencedora do leilão assumirá o compromisso de pagar à União uma contribuição variável anual correspondente a 20% do faturamento bruto da concessão até 2039. Além disso, a companhia será a única controladora do terminal, já que o acordo com o TCU prevê o fim da participação acionária da Infraero.
Segundo Marcus Quintella, diretor da Fundação Getulio Vargas Transportes (FGV), o leilão é importante para permitir os investimentos necessários no terminal. Segundo ele, houve mudanças importantes na modelagem, com nova configuração, com regras que podem interessar aos investidores, como a saída da Infraero, o compartilhamento de risco e a outorga variável.
" É uma situação que pode contribuir para os investimentos futuros no Galeão, e para que a prestação de serviços continue boa. A modelagem financeira precisa fechar a conta. Isso é fundamental para a continuidade do Galeão.
O especialista em aviação Alessandro Vieira, da Unicuritiba, diz que, embora o modelo de venda assistida do Galeão traga avanços importantes do ponto de vista institucional e econômico, o valor mínimo é elevado e pode restringir o número de interessados, especialmente em um cenário ainda marcado por incertezas no setor aéreo:
" Outro ponto de atenção é a capacidade do novo operador de retomar os investimentos e recuperar a atratividade do Galeão frente a outros aeroportos da região, o que exigirá uma estratégia comercial agressiva e eficiência operacional. O modelo é mais maduro e corrigiu distorções do passado, mas o sucesso da privatização dependerá da confiança do mercado.