Ipca fica em 0,33% em janeiro, com alta da gasolina
Os preços ao consumidor repetiram a variação de dezembro e subiram 0,33% em janeiro, ...
Os preços ao consumidor repetiram a variação de dezembro e subiram 0,33% em janeiro, divulgou o IBGE ontem. O avanço foi puxado principalmente pelos combustíveis, com destaque para a gasolina, que encareceu 2% no mês após reajuste do ICMS. Já a mudança da bandeira tarifária de amarela para verde nas contas de luz e os preços comportados da alimentação " a menor variação para o mês desde 2006 " ajudaram a conter o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que orienta o sistema de metas do governo.
Em 12 meses, o índice acelerou de 4,24% para 4,44% " perto do teto da meta de inflação, fixada em 3% pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. O indicador não mostra tendência de alta, já que janeiro de 2025 foi atípico, ficando em 0,16%, por causa do bônus de Itaipu que aliviou o custo da energia elétrica.
Para analistas, o fato de o resultado da inflação em janeiro não ter apontado uma piora do cenário, nem sinalizado aceleração " ainda que serviços e núcleos (quando se exclui itens mais voláteis) permaneçam mais elevados " reforça a expectativa de início dos cortes da Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) entre os dias 17 e 18 de março. Hoje, a taxa básica de juros está em 15% ao ano. As apostas se dividem entre uma redução mais cautelosa, de 0,25 ponto percentual, e um corte de 0,5 ponto.
Corte de juros
Para Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter, o resultado do IPCA não altera sua avaliação de que o Copom deve iniciar o ciclo com um corte de 0,50 ponto percentual. Ela lembra que a inflação de alimentos segue controlada e o câmbio, a R$ 5,20, o que afasta novas pressões; os dados de serviços estão altos, mas em linha com a sazonalidade.
" O ritmo de desaceleração da inflação de serviços será importante para determinar o ritmo e até o onde o Copom pode cortar. No cenário atual, com estímulos fiscais nesse começo de ano e risco de mais medidas eleitoreiras, o tom deve ser de cautela " diz ela, que projeta inflação encerrando o ano em 3,9%.
Já Claudia Moreno, economista do C6 Bank, diz que o BC deve optar por um movimento mais moderado neste primeiro momento, embora reconheça que as comunicações recentes deixaram margem para uma redução maior. Em ambos os cenários das analistas, a expectativa é que os juros encerrem o ano em torno de 12,5%.
Entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE, a maior pressão veio de Transportes, reflexo do aumento dos combustíveis. A gasolina subiu 2% após o reajuste do ICMS; e etanol, diesel e gás veicular também registraram alta. Para fevereiro, a tendência é de recuo na gasolina, já que a Petrobras anunciou no fim de janeiro uma redução de 5,2% do preço na refinaria, e analistas estimam que o corte deve se traduzir em queda de até 2% nas bombas.
O ônibus urbano avançou 5%, com reajustes em capitais como Fortaleza, Belo Horizonte, Rio e São Paulo. Já as passagens aéreas e o transporte por aplicativo recuaram depois de fortes altas observadas no fim do ano passado.
A inflação de serviços " que reúne desde alimentação fora de casa e aluguel residencial até serviços pessoais, como manicure e consertos " caiu de 0,72% em dezembro, mês tradicionalmente pressionado pelas festas de fim de ano, para 0,10%. O resultado foi puxado pelo recuo da passagem aérea e do transporte por aplicativo. Foi a menor variação mensal desde junho de 2024.
Ainda assim, no acumulado em 12 meses, os serviços subiram 5,29%, acima da inflação geral. Segundo Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa do IBGE, o reajuste do salário mínimo em janeiro é um dos fatores que exerce influência sobre os preços do setor.
" Pode ter uma pressão de demanda, além de fatores de custo que impactam na formação do preço final dos comerciantes e prestadores de serviço. Tivemos alta em manicure e empregado doméstico. Há uma pressão combinada.
Na outra ponta, Habitação recuou 0,11%, puxada pela redução na conta de luz com a adoção da bandeira verde. O grupo Alimentação e bebidas, que vem ajudando há algum tempo a conter o avanço da inflação, desacelerou de 0,27% em dezembro para 0,23% em janeiro. Foi a menor variação para o período em 18 anos.
Tomate sobe 20,52%
A alimentação em casa subiu só 0,10%, abaixo dos 0,14% do mês anterior. Contribuíram para o recuo o leite longa vida, que caiu 5,59%, e os ovos de galinha, cujos preços ficaram 4,48% menores. Do lado das altas, destaca-se o tomate, com avanço de 20,52%, e as carnes, que subiram 0,84%, especialmente contrafilé e alcatra.
Segundo Gonçalves, do IBGE, muita chuva e calor prejudicaram a produção de tomate. Já o ovo foi beneficiado pelo custo mais baixo do milho, principal insumo da ração das aves, e o efeito chegou às gôndolas. Ele pondera, no entanto, que o comportamento dos alimentos pode mudar nos próximos meses.