Mudança nos carros promete reorganizar forças e exige maior estratégia dos pilotos
uma nova fórmula 1
uma nova fórmula 1
A prometida revolução da Fórmula 1 finalmente será apresentada nas pistas a partir deste fim de semana, no GP da Austrália, abertura da temporada, que traz mudanças significativas na principal categoria do automobilismo. Na madrugada deste sábado, os pilotos vão disputar o primeiro treino classificatório do ano às 2h. A TV Globo e o Sportv transmitem ao vivo.
O grande combo de mudanças no regulamento tem como peça fundamental a unidade de motor. De olho no futuro da energia limpa, o V6 híbrido agora divide quase igualmente a potência entre combustão " com combustíveis 100% sustentáveis produzidos a partir de biomassa proveniente de resíduos industriais ou orgânicos " e bateria elétrica.
" É revolucionária. É a Fórmula 1 usando a tecnologia visando os carros de rua no futuro. Assim como a questão do combustível sustentável, que é uma das grandes preocupações (a meta da categoria é atingir a neutralidade de carbono até 2030) " explica Luciano Burti, ex-piloto de F1 e comentarista da TV Globo.
E a partir desse equilíbrio energético, todo o desenvolvimento do novo carro precisou encontrar soluções para garantir que as baterias durem e tenham potência nas, em média, duas horas de corrida. Daí surgem as modificações no tamanho dos chassis, pneus e na aerodinâmica do monoposto. Afinal, a premissa básica da F1 precisa ser mantida: corridas com muitas possibilidades de ultrapassagens. E o sonho de maior equilíbrio entre as equipes.
Entre as novidades estão a aerodinâmica ativa (asas móveis nos aerofólios dianteiro e traseiro para redução do arrasto). Diferentemente do antigo DRS, o sistema não tem como objetivo principal ultrapassagens, mas sim a conservação da energia " pode ser usado em trechos de reta sem obrigatoriedade do piloto estar a 1s do carro da frente. Já o modo ultrapassagem faz parte de um sistema de recuperação de energia que vai demandar visão tática dos pilotos. Eles terão à disposição o modo de ataque (mais energia que pode ser acionada quando o piloto estiver a menos de 1s do carro à frente no ponto de detecção) e o uso de potência extra (a critério dos pilotos).
" A mudança mais desafiadora é a questão do uso de 50% da potência dos motores, via bateria. Precisa recarregar de forma eficaz e não descarregar tão rápido " resume Burti.
Pilotos reclamam
As primeiras impressões dos pilotos, desde os testes no Bahrein, em fevereiro, porém, não foram das melhores. Eles vão precisar formular estratégias de uso da bateria em cada volta ou situação de corrida. Melbourne, por exemplo, é uma pista tida como pobre energeticamente, pois tem grandes retas. A recarga da unidade elétrica é feita, sobretudo, nas frenagens. Ponto para traçados travados como o de Mônaco.
O mais crítico de todos é o tetracampeão mundial Max Verstappen, da Red Bull. Algumas declarações do holandês de 28 anos até deixaram no ar a possibilidade de uma aposentadoria precoce.
"Parece mais um Fórmula E com esteroides. Como piloto, eu gosto de guiar no limite. E, no momento, não dá para pilotar assim. Em termos de pilotagem, não é tão divertido " disse o holandês, que tem contrato com a equipe até 2028.
Os pilotos da Ferrari também não se adaptaram imediatamente ao novo carro e às suas novas funções. O heptacampeão Lewis Hamilton brincou que seria necessário tirar diploma para compreender o regulamento.
" A temporada de 2026 pode ser a era mais desafiadora para os pilotos. As regras são extremamente complexas. Os fãs provavelmente não vão entender tudo " afirmou o britânico após o período de testes.
Atual campeão mundial, o inglês Lando Norris, da McLaren, contemporizou:
" Todos terão as mesmas regras, então não vejo por que reclamar tanto. É apenas um novo desafio.
É fato que as novas regras são iguais para todo mundo. E, como sempre na Fórmula 1, as equipes e pilotos que se adaptarem melhor ao regulamento e ao carro desenvolvido terão mais chances de levar os títulos.
À primeira vista, Mercedes e Ferrari saíram à frente das demais pelo que apresentaram nos testes. Apesar de a pré-temporada não ser tão confiável, pois as equipes costumam esconder o jogo das adversárias, os especialistas apontam os carros da escudeira alemã com ligeiro favoritismo. E o inglês George Russell como provável protagonista.
" Agora, ainda mais com essa questão do uso do motor que dá para você economizar muito, não dá para saber quem é quem apenas pelos testes. A Ferrari foi a mais rápida no final. Mas a maioria tem apostado na Mercedes. Se eu fosse apostar em alguém agora, eu também aposto na Mercedes, principalmente com o Russell " afirma Burti.
A surpresa negativa, até o momento, já tem nome: a Aston Martin, liderada pelo bicampeão mundial Fernando Alonso. O excesso de vibração do motor Honda tem prejudicado o desempenho e a confiabilidade do carro desenvolvido por Adrian Newey e dos pilotos. O espanhol relatou que, após 20 a 25 minutos ao volante, as mãos e os pés começam a ficar dormentes. Por isso, a equipe limitou o número de voltas a 25 do total de 58 da corrida para evitar danos físicos a Alonso e Lance Stroll.
Bortoleto animado
A temporada, que conta novamente com 24 etapas, terá duas novas equipes e 11 no total. A Sauber, do brasileiro Gabriel Bortoleto, passa a ser Audi. Já a Cadillac estreia na F1 com os experientes Sergio Pérez (MEX) e Valtteri Bottas (FIN).
Em seu segundo ano na categoria, Bortoleto terá a missão de se adaptar rapidamente ao novo conceito do carro em uma equipe com marca de peso no automobilismo, mas sem experiência na F1. O desempenho da Audi nos testes foi animador.
" Para mim, foi uma surpresa boa nos testes. Começando do zero, com motor do zero, andando ali no meio do pelotão é surpresa. Espero, quando estiver muito bom, vê-los lutando por pontos " analisa Felipe Giaffone, comentarista de F1 da TV Globo.