Ceo da maior petroleira global alerta para ‘consequências catastróficas’ da guerra
O diretor executivo da estatal saudita Aramco, Amin Nasser, que dirige a maior petrolífera do ...
O diretor executivo da estatal saudita Aramco, Amin Nasser, que dirige a maior petrolífera do mundo em valor de mercado, reservas e produção de petróleo, alertou ontem que o impacto da guerra nos mercados globais de petróleo será "catastrófico" quanto mais tempo durar a interrupção do Estreito de Ormuz causada pelo conflito.
Cortes de produção estão se espalhando por toda a indústria petrolífera do Oriente Médio diante do forte crescimento dos estoques causado pela impossibilidade de escoamento pelo Estreito de Ormuz. No conjunto, Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes Unidos e Kuwait já reduziram a produção de petróleo bruto em 6,7 milhões de barris por dia. Só a Arábia Saudita cortou 2,5 milhões.
" Há consequências catastróficas para o mercado mundial de petróleo quanto mais tempo durar essa interrupção, e consequências cada vez mais drásticas para a economia global " afirmou Nasser. "Embora já tenhamos enfrentado interrupções no passado, esta é de longe a maior crise que a indústria de petróleo e gás da região já enfrentou.
O CEO da Aramco disse que a petroleira foi forçada a fechar a maior refinaria da Arábia Saudita após um ataque de drone, e trabalha para reiniciar as operações rapidamente. De acordo com o governo, campos de petróleo também foram alvo de ataques. Ontem, a Abu Dhabi National Oil, estatal dos Emirados Árabes Unidos, foi obrigada a paralisar a refinaria de Ruwais, uma das maiores do mundo, como medida de precaução após um ataque causar um incêndio na área industrial.
Nasser disse que a Aramco está desviando parte do petróleo que habitualmente passava por Ormuz usando um oleoduto em direção a Yanbu, na costa do Mar Vermelho. A empresa pode bombear até 7 milhões de barris por dia, e cerca de 2 milhões serão destinados a refinarias domésticas espalhadas pela costa do Mar Vermelho. A empresa também está exportando produtos refinados, como diesel, a partir de suas refinarias no oeste do país.
A Aramco tem valor de mercado de cerca de US$ 1,7 trilhão e aumentou seu dividendo base para US$ 21,9 bilhões no trimestre encerrado em 31 de dezembro, um aumento de 3,5% em relação aos três meses anteriores. O pagamento maior beneficiará o governo saudita e o fundo soberano do país, que juntos possuem mais de 97% da empresa.