Justiça de são paulo valida decisão do pão de açúcar
O Juízo da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo deferiu ontem o ...
O Juízo da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo deferiu ontem o processamento da recuperação extrajudicial do GPA, de acordo com comunicado da empresa ao mercado. Na terça-feira, o grupo informou ter fechado acordo com credores para apresentar um plano de recuperação extrajudicial.
O plano abrange obrigações de pagamento sem garantia de aproximadamente R$ 4,5 bilhões. Ficam de fora fornecedores, parceiros, clientes e trabalhadores. Ele foi fechado com credores que detêm 46% dessas dívidas, ou R$ 2,1 bilhões. O percentual mínimo para aprovação da reestruturação é de um terço dos créditos afetados.
"O plano tem efeitos imediatos, prevê a suspensão das obrigações da companhia junto aos credores afetados e cria um ambiente seguro e estável para a continuidade das negociações por 90 dias", disse o GPA em nota. Ao longo desse período, o grupo vai buscar o apoio do restante dos credores.
O GPA tem dívidas de R$ 1,7 bilhão vencendo em 2026 e um capital circulante negativo de R$ 1,22 bilhão. Isso sinaliza que a empresa, além de renegociar com os credores, terá que buscar empréstimos, fazer aumento de capital ou vender mais ativos, além de buscar a desalavancagem, segundo analistas.
Também ontem, a agência de classificação de risco Fitch Ratings cortou a nota de crédito nacional do GPA de "CCC(bra)" para "C(bra)", devido ao pedido de recuperação extrajudicial.
Segundo os analistas da Fitch Renato Donatti, Pedro Gonzalez e Alberto Moreno Arnaiz, o controlador da rede de supermercados Pão de Açúcar tem sido pressionado por uma elevada queima de caixa. Esse cenário é agravado por pagamentos de juros incompatíveis com a geração de caixa da empresa e por saídas de recursos relacionadas a contingências tributárias e trabalhistas.
A nota de crédito da companhia sofrerá um novo corte para "RD", inadimplência restrita, caso o plano de reestruturação seja efetivamente assinado. Em um cenário mais pessimista, se as negociações falharem e o GPA for forçado a entrar com um pedido de recuperação judicial, o rating seria rebaixado diretamente para "D", calote. (Com Valor)