Botafogo e flamengo jogam para estancar sangria do início do ano
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O clássico entre Botafogo e Flamengo, às 20h30, no Nilton Santos, pelo Brasileirão, coloca frente a frente duas equipes em páginas distintas de crises semelhantes vividas neste começo de temporada. Com administrações diferentes, os clubes experimentam um teste de convicção em meio a um dado alarmante: desde a criação da SAF alvinegra, em 2022, a troca de treinadores é equivalente. Foram sete nomes para cada lado.
Enquanto o Flamengo se apressou ao diagnosticar problemas no comando de Filipe Luís este ano e trouxe Leonardo Jardim antes da disputa do título estadual, o Botafogo ainda resiste ao caminho mais fácil da demissão de Martín Anselmi, que é o décimo técnico da era John Textor, se levados em contas os interinos.
A administração da SAF alvinegra superou os protestos pela queda na Pré-Libertadores durante a semana e acredita que ainda pode haver resposta em campo. O diagnóstico é que nos anos anteriores o futebol apresentado pela equipe ajudou no equilíbrio com os problemas extracampo. Dessa vez, o resultados não têm ajudado, embora haja uma percepção de que as atuações não sejam ruins.
Pelas falhas recentes dos goleiros e a falta de gols, a diretoria reconhece a necessidade de ir ao mercado para suprir essas carências, mas se depara com a janela de transferências fechadas e tenta se ater às possíveis estreias de Cristian Medina no meio-campo e ao retorno de Junior Santos " o atacante foi apresentado ontem pelo diretor Alessandro Brito, ao lado do zagueiro Ferraresi.
" Acreditamos no elenco que temos, nos jogadores, na comissão e no estafe. Estamos seguros. Temos convicção de que vamos ter um caminho importante no restante da temporada " disse o dirigente ontem.
Apesar de colocar panos quentes na má fase, há um entendimento de que o estresse entre John Textor e o clube associativo pode transbordar para o campo. A diretoria foi cobrada por membros de torcidas organizadas na quinta-feira e vê o resultado negativo recente inflamar as demais áreas. Uma vitória sobre o Fla seria o remédio perfeito para conter esse movimento.
No rival rubro-negro, a troca de comando técnico foi a solução encontrada pela diretoria para estancar uma crise que vinha desde o começo de 2026. A queda de desempenho do Flamengo em relação ao time que ganhou Brasileiro e Libertadores no ano passado provocou mudanças drásticas antes da hora, mas a convicção desta vez foi na necessidade da troca. Depois de um jogo morno contra o Fluminense, mas que rendeu o título carioca, a atuação mais consistente frente ao Cruzeiro tranquilizou o departamento de futebol.
Nos bastidores, havia uma apreensão de que a comoção pela saída do ídolo Filipe Luís embaçasse o diagnóstico de um trabalho com problemas de toda ordem. A resposta dos jogadores em campo e a volta dos resultados positivos, com boas apresentações individuais, pesaram para que o clube se convencesse de que tomou a melhor medida.
‘trem errado’
O presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, que é declaradamente contra a SAF no Fla, justificou a decisão à ala política do clube e acalmou os ânimos. Os resultados também ajudaram a estancar a crise que poderia resultar na saída do diretor José Boto. A metáfora do mandatário sobre a troca, em áudio vazado, resumiu bem o cenário recente:
" Quando você pega um trem errado na vida, você sabe o que tem que fazer? Descer na primeira estação possível e retornar. Meu compromisso inarredável é com o Flamengo. Quando eu não acredito que o que está sendo feito vai levar o Flamengo para onde desejamos, eu tenho que atuar. Foi exatamente o que fiz " disse Bap. Na apresentação de Leonardo Jardim, Boto também assumiu a responsabilidade.
" Fiz o diagnóstico e dei a solução. O presidente aceitou e, como decisor máximo, bateu o martelo. Razões, são sempre muitas. Não compete a nós expô-las. É profissionalismo. Como profissionalismo também é tomar decisões difíceis que parecem ilógicas.