A lista oferece um caminho
Carlos Eduardo Mansur
Carlos Eduardo Mansur
Os novos nomes parecem confundir, mas a estrutura da última lista de Carlo Ancelotti antes da convocação final é o aspecto mais esclarecedor da relação anunciada ontem. Porque a fartura de atacantes, a escassez de meias e as dúvidas sobre quantos zagueiros ou laterais o italiano levará à Copa parecem desfeitas: salvo mudanças de última hora, o Brasil vai à América do Norte com três goleiros, nove defensores, cinco meio-campistas e nove atacantes.
Mais do que isso, outro ponto parece claro. Entre os meias, um deles é talhado para atuar na função do "camisa 10", por trás do centroavante. Nesta lista, entrou Gabriel Sara na vaga de Lucas Paquetá, talvez o grande derrotado da convocação. Entre os atacantes, Matheus Cunha ou Raphinha podem executar a função. Aí, dependerá de Ancelotti, de acordo com as partidas, decidir se usará quatro atacantes ou três meias natos.
Ancelotti indicou, com os 26 nomes que chamou nesta segunda, que 17 dos 26 convocados deverão jogar a Copa do Mundo. Se for confirmado retorno de Éder Militão para abril, além de Estevão " que preocupa menos ", chegamos a 19 nomes praticamente confirmados. Hoje, há certa preocupação sobre Bruno Guimarães, que sofreu séria lesão muscular. Caso volte bem antes da convocação de maio, chegaremos a 20 nomes praticamente garantidos no Mundial.
Voltando à estrutura, e encaixando nela os nomes, hoje há poucos motivos para achar que, no gol, há alguma dúvida que vá além do terceiro goleiro. Mas Alisson, Ederson e Bento parecem se afirmar. Na defesa, Wesley, Alex Sandro e Douglas Santos são os laterais especialistas. Danilo parece uma segurança para Ancelotti pela experiência e versatilidade: pode ser um reserva para qualquer das quatro posições. Gabriel Magalhães e Marquinhos são os zagueiros especialistas garantidos, e ganharão a companhia de Militão, que pode ser zagueiro ou lateral, caso se recupere bem. A partir daí, restariam duas vagas: Alex Ribeiro, do Lille, também vem de lesão, mas tem convocações recentes; Bremer parece voltar à seleção à frente de Léo Pereira e Ibañez, as outras novidades.
O meio-campo terá quatro volantes " dois "camisas 5" e dois "camisas 8" ", além de um meia mais ofensivo. Este último, na lista de ontem, foi Gabriel Sara, na vaga de Paquetá. Casemiro é o primeiro volante titular, tendo Fabinho convocado pela segunda vez como seu reserva. Para segundo homem, Ancelotti vai esperar por Bruno Guimarães. Contra França e Croácia, Andrey Santos, nome certo na Copa, deverá substituí-lo, enquanto Danilo, do Botafogo, vai ter sua chance na ausência do jogador do Newcastle.
A disputa no ataque é mais complexa. Vinicius Júnior, Raphinha, Martinelli, Matheus Cunha e João Pedro são jogadores que, salvo uma lesão que os deixe sem condições, estarão no Mundial. Estevão, ausente por lesão, também está nesta relação. A partir daí, sobram três lugares. Ancelotti parece buscar um homem de área, com mais característica de força. Desta vez, abriu mão de Richarlison, tampouco chamou Igor Jesus, e vai observar Igor Thiago. Os três parecem ter uma briga particular.
Nas outras posições, Endrick e Luiz Henrique parecem na dianteira como atacantes que podem jogar pelos lados, mas também pisar a área para fazer gols.
É claro, resta outra pergunta: Neymar pode ser o 21º homem garantido? A questão, hoje, é que a expressão "Neymar 100% fisicamente" virou algo difícil de medir. Serão apenas seus números, a quantidade de sprints num jogo, os minutos jogados, o tempo sem lesão? Aparentemente, o desempenho técnico, a influência numa partida parece uma forma mais útil de acompanhar a evolução do craque. Ancelotti não fecha nem abre portas, apenas ganha tempo. Se Neymar evoluir, pode ser um recurso que poucas seleções teriam na parte final de jogos decisivos contra rivais de peso. Não é preciso se comprometer agora.