Domingo, 29 de Marzo de 2026

Apreensão de canetas emagrecedoras cresce dez vezes

BrasilO Globo, Brasil 29 de marzo de 2026

A apreensão de canetas emagrecedoras que chegam ilegalmente ao país cresceu mais de dez ...

A apreensão de canetas emagrecedoras que chegam ilegalmente ao país cresceu mais de dez vezes em 2025 em meio ao aumento do consumo pela população brasileira, mostram dados da Receita Federal obtidos pelo GLOBO. Segundo o Fisco, 32,9 mil unidades de canetas de diferentes laboratórios foram apreendidas nos aeroportos ou fronteiras no ano passado, contra 2,8 mil em 2024. Neste ano, só em janeiro e fevereiro, mais de 25 mil medicamentos já foram retidos pela Receita. Em valores, as apreensões superam R$ 50 milhões desde 2024.
As canetas injetáveis são o primeiro medicamento do mundo a promover uma perda expressiva de peso e funcionam por meio da ativação dos receptores GLP-1 e GIP, que são hormônios liberados naturalmente pelo intestino após uma refeição. Inicialmente, a indicação médica é de uso para o tratamento de diabetes e outros distúrbios relacionados à insulina, mas a perda de peso gerada tem aumentado sua popularidade.
A maioria das canetas retidas pela Receita tem substâncias permitidas no Brasil, embora também haja casos de apreensões de produtos proibidos, como Retatrutida. De qualquer forma, medicamentos só podem entrar no país acompanhados de prescrição médica. Por isso, mesmo as canetas que vêm em malas de passageiros para consumo próprio são apreendidas pela Receita Federal, que controla a entrada e saída de cargas do Brasil, combatendo os crimes transfronteiriços e o comércio ilícito.
A entrada de mercadorias estrangeiras sem a devida regularização fiscal configura crime e pode resultar na apreensão dos bens e em penalidades aos responsáveis. Mas o principal alvo da aduana são os grandes grupos criminosos. Os produtos escolhidos variam com o tempo e as tendências do mercado consumidor do país.
Botox e cigarros
No passado, já foi botox, há os cigarros, tradicionais ou eletrônicos, e agora são os remédios para emagrecer que estão em alta. As organizações criminosas acrescentaram o contrabando de canetas ao seu rol de "negócios" devido ao grande potencial de lucro, já que a demanda é grande no país e o risco, se for pego, é baixo, dado o enquadramento penal. O transporte ilegal já foi alvo de diversas operações da Receita, inclusive em parceria com a Polícia Federal.
" O que muda da caneta emagrecedora para, por exemplo, a droga, é a capacidade punitiva da nossa legislação, ou seja, o custo benefício. O benefício é alto, e o custo, se for pego, em termos penais é bem menor. Não é tráfico internacional de droga, é bem mais difícil de enquadrar " explica Felipe Mendes Moraes, coordenador-geral de administração aduaneira da Receita.
Além da preocupação em desarticular as quadrilhas, o crescimento da entrada irregular no país de medicamentos para diabetes e obesidade preocupa as autoridades do ponto de vista de saúde pública. Sem o regular armazenamento, o remédio na melhor das hipóteses pode perder o efeito, mas também pode fazer mal à saúde. A importação irregular não tem comprovante de autenticidade ou avaliação de qualidade ou origem.
Os registros dos agentes da Receita mostram que as canetas, que precisam ser conservadas em baixas temperaturas, chegam ao país nas piores condições: dentro de bichinhos de pelúcia, de embalagens de creme, aparelhos de som de carro ou enroladas nos braços e pernas de "mulas" nos aeroportos.
" Os métodos de esconder são os mais variados. Nunca vai estar numa caixinha com gelo seco dentro de um isopor para que a pessoa seja parada. Existem diversos métodos e eles não levam em consideração a saúde de quem vai usar " destaca Mendes.
Na fronteira terrestre, entre Mato Grosso do Sul e Paraguai, a temperatura gira perto de 40º, e as canetas são transportadas em porta-malas de veículos ou em tanque de combustível de moto.
" Isso representa um sério risco para saúde pública. Os consumidores finais, por vezes, nem têm ideia do que estão comprando " afirma o coordenador da Receita.
Aceitação social
Há preocupação também com uma certa "aceitação social" de crimes aparentemente de "menor impacto ofensivo". Quando conseguem entrar no país, muitas vezes as mercadorias irregulares são adquiridas em "fontes alternativas" por estabelecimentos formais. É o caso, por exemplo, do que aconteceu nos casos de bebida adulterada.
Entre os produtos mais retidos estão Mounjaro, Ozempic, Retatrutida, Semaglutida, Tirzepatida e Wegovy. A maior parte das apreensões acontece nos maiores aeroportos do país, como Guarulhos e Viracopos (SP), Galeão (RJ) e Brasília (DF).
As canetas vêm na mala (ou no corpo) de passageiros ou por meio de remessas internacionais. Isso ocorre porque são produtos de alto valor agregado e pequeno volume, o que facilita o transporte. Já as origens são variadas, como Estados Unidos e Europa ou Ásia. No último caso, normalmente associadas ao comércio eletrônico. Quando atravessam as fronteiras terrestres, normalmente vêm do Paraguai.
Para evitar transtornos para os viajantes , os agentes aduaneiros trabalham com base em perfis de risco e cruzamento de dados para identificar alguns suspeitos dentre os pacotes, veículos e pessoas, que são parados para verificação e eventual retenção.
Todos os produtos apreendidos são submetidos a análises técnicas para verificar autenticidade e segurança, inclusive com apoio de órgãos especializados e laboratórios. Após o processo administrativo, os medicamentos irregulares ou falsificados são normalmente destruídos, por razões sanitárias e de segurança.
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