Jogadores antes bem cotados na seleção perdem espaço na reta final do ciclo
Ficaram para trás
Ficaram para trás
O técnico Carlo Ancelotti usa a última rodada de amistosos antes da convocação para a Copa para testar opções e preencher as vagas que ainda estão abertas. Como, por exemplo, na zaga. Com Marquinhos, Gabriel Magalhães e Éder Militão certos, desde que aptos fisicamente, a busca é por mais dois. Bremer e Léo Pereira, que atuaram contra a França, e Fabrício Bruno, presente nas convocações anteriores, estão na lista de candidatos, que agora inclui o recém-chamado Vitor Reis. Para os mais atentos, uma ausência chama a atenção: e Alexsandro Ribeiro, que encantara o italiano no ano passado? O caso do defensor, que não figurou nas últimas três convocações, não é isolado. Alguns jogadores que deixaram boa impressão na comissão técnica e estiveram bem cotados não conseguiram se manter no pelotão da frente.
No caso de Alexsandro, as lesões apareceram no caminho. O zagueiro de 26 anos vivia seu auge. Vindo de uma boa temporada pelo Lille (2024/25), teve atuações seguras contra Equador e Paraguai, em junho, quando surgiu como surpresa, e voltou a ser chamado em setembro (jogou contra a Bolívia). A imprensa francesa já noticiava o interesse do Al-Hilal, da Arábia Saudita, pelo zagueiro. Mas, ao retornar da segunda data Fifa seguida, a sorte pareceu ter lhe abandonado.
Alexsandro lesionou a coxa direita no primeiro jogo. Ficou 92 dias fora. Na volta, já em janeiro, uma expulsão num jogo e uma falha em outro o fizeram perder a titularidade. O técnico do Lille, Bruno Genésio, reconheceu ter forçado seu retorno.
Quando o brasileiro teve nova chance para ganhar sequência, em fevereiro, veio outra contusão. Mais 13 dias afastado. Agora, a menos de três meses da Copa, sua busca passou a ser para recuperar espaço no próprio time.
DO MEIO AO ATAQUE
Quem também foi ultrapassado nessa corrida é Gerson. Presença constante nas convocações de Dorival Júnior, o meia seguiu na seleção com Ancelotti. Chegou a ser elogiado pelo italiano " que destacou sua "boa qualidade não só para jogar na construção, mas no jogo entrelinhas" " e foi titular logo na estreia do novo treinador, contra o Equador.
Naquela data Fifa, questões extracampo já começavam a aparecer. Uma proposta para trocar o Flamengo pelo Zenit mexia com a cabeça do jogador, que ouviu conselhos de Ancelotti. O técnico disse que atuar numa liga de menor visibilidade como a russa não o tiraria do radar. E não mentiu, como mostram as convocações de Douglas Santos e de Luiz Henrique. Só que os problemas de Gerson eram outros. De cara, o meia não se adaptou ao novo país, com cultura e clima muito diferentes dos do Brasil. Esta dificuldade se refletiu em campo, com atuações apagadas do meia, que ainda ficou 56 dias fora por lesão.
A transferência para o Cruzeiro, em janeiro, seria uma oportunidade de recuperar o bom futebol e um lugar na seleção. Mas o mau começo de ano do clube frustrou seus planos. Ainda que o Brasil amargue uma carência de meias, Gerson não voltou a ser convocado.
Na frente, quem também viu suas chances de ir à Copa desidratarem foi Savinho. Em alta com Dorival, ele atravessava a péssima temporada 2024/25 do Manchester City quando foi preterido por Ancelotti na primeira convocação. Ainda teria um ano para mostrar seu valor, mas aí vieram as lesões. Desde agosto, o atacante passou 80 dias no departamento médico. Para completar, a chegada de Semenyo em janeiro o fez perder espaço no City. O brasileiro tem só 27 partidas, 12 como titular, na temporada.
Nada disso abala a esperança que Pep Guardiola e o City depositam no ponta de 21 anos, que em outubro renovou até 2031. Só que o técnico e o clube o veem como aposta de longo prazo e não têm pressa. Já para Ancelotti a Copa é logo ali.