Martes, 07 de Abril de 2026

Etanol avança como plataforma energética no mundo

BrasilO Globo, Brasil 7 de abril de 2026

A escalada recente nos preços dos combustíveis fósseis começa a acelerar um ...

A escalada recente nos preços dos combustíveis fósseis começa a acelerar um reposicionamento dos combustíveis de baixo carbono na matriz energética global. A avaliação foi reforçada no painel "Corredores verdes: desenvolvendo o mercado de combustíveis de baixo carbono na aviação e no transporte marítimo Brasil-China", onde ganhou força a leitura de que o país reúne condições para praticamente dobrar sua escala em relação aos EUA na produção de etanol.
"O Brasil pode chegar a cerca de 30 milhões de toneladas por ano, enquanto os EUA estão em torno de 15 milhões, mas o principal desafio ainda é a escala. Sem isso, não conseguimos avançar na adoção desses combustíveis, que conectam agricultura, energia e transporte " afirmou Shen Wang, CEO da SafPac, durante o painel mediado por Fernanda Delmas, diretora de Redação do Valor.
O dado sinaliza uma mudança na inserção do etanol na transição energética, passando a ser tratado como uma plataforma capaz de conectar diferentes cadeias produtivas e rotas tecnológicas, inserindo-se "em três frentes principais de descarbonização: marítima, aviação e indústria, e avançando ainda sobre uma quarta dimensão, ligada ao setor energético".
Nesse contexto, o avanço de tecnologias digitais cria espaço para o uso do etanol como vetor energético fora dos modelos convencionais de geração e com menor intensidade de carbono. Isso amplia o papel do combustível em novas arquiteturas energéticas associadas à digitalização da economia e seu uso em diferentes setores, como transporte marítimo, aviação e indústria. A consolidação desse novo papel ainda depende, porém, de ganhos de escala e redução de incertezas. Ao mesmo tempo, o contexto internacional leva a discussão a incorporar a dimensão geopolítica de forma mais explícita.
" Não se trata apenas de descarbonização, mas também de garantir o fornecimento de energia no futuro " afirmou Li Zhenglong, vice-diretor da Universidade de Zhejiang.
Esse movimento reduz uma das principais barreiras históricas dos combustíveis de baixo carbono, o custo. Nesse cenário, a relação entre Brasil e China tende a ganhar centralidade. O país asiático avança na definição de padrões, na demanda por combustíveis de baixo carbono e na capacidade tecnológica, enquanto o Brasil reúne vantagens associadas à disponibilidade de biomassa e à escala agrícola. É justamente nessa combinação que emerge um dos principais alertas levantados no debate:
" Se não houver estratégia, corremos o risco de ficar apenas como exportadores de etanol, sem desenvolver a indústria associada " afirmou Larissa Wachholz, senior fellow do Cebri.
La Nación Argentina O Globo Brasil El Mercurio Chile
El Tiempo Colombia La Nación Costa Rica La Prensa Gráfica El Salvador
El Universal México El Comercio Perú El Nuevo Dia Puerto Rico
Listin Diario República
Dominicana
El País Uruguay El Nacional Venezuela