Martes, 14 de Abril de 2026

Associativo indica recusa em aporte e aumenta incerteza na saf alvinegra

BrasilO Globo, Brasil 14 de abril de 2026

guerra política

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A guerra de narrativas no Botafogo ganhou mais um capítulo. Após semanas em silêncio, a ala social do alvinegro deu, através de nota oficial, sua posição em relação a alguns dos acontecimentos recentes nos bastidores da SAF. Entre eles, o principal ponto é o indicativo de que o associativo, que tem à frente o presidente João Paulo Magalhães Lins, não aceitará o aporte de US$ 25 milhões (aproximadamente R$ 125 milhões) desejado por John Textor. O empresário americano chegou a convocar uma Assembleia Geral Extraordinária, na próxima segunda-feira, para discutir a necessidade de capitalização.
"A prioridade absoluta, neste momento, é a estabilidade operacional da SAF e o cumprimento de suas obrigações. Nesse sentido, eventuais aportes de recursos que não dependam de estruturas societárias complexas, e que não representem endividamento para além dos limites permitidos, podem contribuir de forma imediata para esse objetivo", diz um trecho da nota.
Embora John Textor e a própria SAF tenham falado que o dinheiro do aporte seria de recursos próprios do empresário americano, há o entendimento, por parte do associativo, que a operação envolveria recursos de investidores externos. Internamente, isso é visto como um ponto sensível, pois levanta dúvidas sobre a natureza real e as garantias envolvidas no negócio.
Prejuízo em 2025
Uma das garantias previstas na proposta enviada por Textor na semana passada é a emissão de ações da SAF. No entanto, há questionamentos sobre a titularidade desses papéis. Nos bastidores, existe o entendimento de que essas ações estariam vinculadas a estruturas sob disputa ou administração judicial, o que poderia impedir sua utilização nos moldes apresentados.
O posicionamento do associativo jogou ainda mais lenha na fogueira na atual situação financeira do Botafogo, que está punido com um transfer ban pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) e deve dois meses de direitos de imagem.
De acordo com laudo publicado pela SAF no último sábado com base em números ainda não auditados, o alvinegro teve prejuízo de R$ 287 milhões na temporada passada " receita de R$ 655 milhões, mas com R$ 892 milhões de custos e despesas operacionais. O documento apontou ainda que o valor econômico do Botafogo atualmente é de R$ 489 milhões negativos.
Diante do cenário, especialistas ouvidos pelo GLOBO apontam a urgência da entrada de novas receitas na SAF.
" O Botafogo hoje é bastante satisfatório em termos de faturamento. Tem uma receita bem considerável no Brasil, mas está no vermelho porque gasta muito. Não se sustenta com receita própria. Entendo que, no curto prazo, um aporte do investidor, (que são) John Textor ou a Eagle, seria o mundo perfeito " explica José Felgueiras, professor do Ibmec e sócio/diretor do Ipec-RJ:
" No médio a longo prazo, o Botafogo deve buscar um equilíbrio entre receitas e custos. Se possível, (realizar) investimento de baixo custo, como nas divisões de base, com elevado retorno nas negociações. É o que o Palmeiras tem feito nos últimos anos.
Outro ponto importante mencionado na nota do associativo é a revelação de conversas em andamento com "diferentes agentes do mercado, incluindo potenciais investidores e parceiros estratégicos que demonstram interesse em contribuir para o futuro do clube":
"A continuidade e o fortalecimento da SAF Botafogo poderão se dar por diferentes caminhos, seja por meio da manutenção e reorganização da atual estrutura, seja por novas composições que venham a se mostrar mais adequadas ao momento."
E o futuro?
Houve, inclusive, nos bastidores, o entendimento de que o laudo publicado no site oficial do clube foi uma jogada para afastar possíveis interessados em adquirir a SAF no lugar de John Textor, que se mantém no controle por conta de uma liminar da Justiça do Rio de Janeiro. O empresário não tem mais poderes na Eagle Bidco " atualmente comandada por uma administradora judicial ", subsidiária da Eagle Football Holdings que detém as ações dos clubes da rede, o que inclui o Botafogo.
Em função da complexidade, nem mesmo os envolvidos nos bastidores da SAF conseguem afirmar o que acontecerá no futuro. Especialistas, por sua vez, indicam que o Botafogo ficará com quem pagar mais aos credores de Textor na Eagle, seja o próprio americano ou outros interessados.
" O que os credores provavelmente vão tentar fazer é vender a SAF. Seja uma venda em conjunta de todos os clubes que compõem a Eagle Bidco, ou uma separada. Caso eles tomem o controle do Botafogo, provavelmente vão preparar para a venda a outro investidor " prevê Marcio Valadares, mestre em Direito e Finanças pela Universidade de Oxford e ex-procurador do Banco Central:
" Independentemente de quem ficar no controle, se desenha a possibilidade da SAF entrar em recuperação judicial, que é um mecanismo para reestruturar empresas consideradas viáveis no longo prazo, mas que enfrentem algum problema de administração financeiro conjuntural, temporário. Acho que esse desequilíbrio entre ativo e passivo indica a RJ como caminho factível.
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