Oncoclínicas obtém crédito emergencial de r$ 150 milhões
A Oncoclínicas obteve um crédito emergencial de R$ 150 milhões com o objetivo de pagar ...
A Oncoclínicas obteve um crédito emergencial de R$ 150 milhões com o objetivo de pagar parte das dívidas com fornecedores e regularizar o atendimento aos pacientes que fazem tratamento de câncer, segundo detalharam ao GLOBO pessoas próximas à rede de medicina oncológica. O empréstimo é do Mak Capital, fundo americano que tem 6,31% das ações da Oncoclínicas , em parceria com a gestora Lumina, que não tem participação na empresa de saúde.
A rede passa por uma grave crise financeira, que prejudica o atendimento aos pacientes. O balanço mais recente mostrou que a companhia teve prejuízo de R$ 3,67 bilhões em 2025 e enfrenta "incertezas sobre a continuidade operacional". Um pedido de proteção contra credores foi ajuizado pela Oncoclínicas na segunda-feira e aguarda decisão na Justiça.
A situação da companhia piorou por perdas provocadas por transações financeiras com o Banco Master, que era um de seus sócios e foi liquidado pelo Banco Central.
Os problemas financeiros se complicaram após a Porto Seguro e o grupo de medicina diagnóstica Fleury desistirem da negociação com a Oncoclínicas que previa a criação conjunta de uma nova empresa.
A expectativa é que os valores do novo crédito sejam depositados até amanhã, para que os débitos com fornecedores sejam quitados, e um mutirão de atendimento aos pacientes que tiveram tratamentos adiados nas últimas semanas seja estruturado durante o fim de semana até o feriado de Tiradentes, na terça-feira.
A operação de crédito prevê a criação de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (Fidc), com a cessão de R$ 200 milhões em recebíveis
MINORITÁRIOS COBRAM OPA
Enquanto a Oncoclínicas tenta se proteger de credores diante de suas fragilidades financeiras, investidores minoritários se movimentam para pôr fim à "novela" da Oferta Pública de Aquisição de Ações (OPA) da companhia, que se arrasta há mais de um ano.
A origem do caso foi a reorganização da fatia do Goldman Sachs na Oncoclínicas, concluída em novembro de 2024. Naquela ocasião, o fundo da gestora americana Centaurus passou a deter mais de 15% da empresa de saúde, o que seria um gatilho para a realização de uma OPA, segundo o estatuto da companhia.
A Latache Capital, que também tem participação no capital da Oncoclínicas, reivindica desde 2024 a realização de uma OPA e recorreu à Superintendência de Registro de Valores Mobiliários (SRE) da Comissão de Valores Mobiliários (CVM, que regula o mercado de capitais). A Centaurus alega que já era acionista desde o IPO da Oncoclínicas, em 2021, por meio dos fundos do Goldman Sachs.
A OPA é uma ferramenta de proteção de minoritários, pois impõe a oferta de compra de ações desses investidores com base nas mesmas premissas de preço usadas em alguma transação relevante realizada por outros investidores, dentro de certos critérios. Há muito dinheiro em jogo nessa "novela". Os minoritários defendem uma OPA com cotação acima de R$ 16, enquanto as ações da Oncoclínicas valem hoje R$ 1,29 na Bolsa.
A Associação Brasileira de Investimento, Crédito e Consumo (Abraicc), que acompanha a tese da Latache sobre a necessidade de realização de uma OPA da Oncoclínicas, protocolou recurso junto ao colegiado da CVM pedindo que os diretores se pronunciem sobre o caso, alegando "inércia" da área técnica do órgão. Segundo a representação da Abraicc, vista pela coluna Capital, um procedimento administrativo para apurar a queixa foi instaurado em 10 de abril do ano passado, mas está, "até o presente momento, sem manifestação conclusiva".
A Abraicc argumenta que, "em momento de crise financeira aguda da empresa, às vésperas de um pedido de recuperação judicial ou extrajudicial, como negociar com os credores e prever a direção que a companhia tomará, estando pendente uma controvérsia sobre a titularidade da maioria de suas ações?"
" O silêncio da administração é cruel. Gera incerteza quanto ao desfecho do pleito e dificulta o recurso " diz Felipe Demori Claudino, sócio-fundador do Demori Claudino Advogados, que representa a Abraicc.