Oncoclínicas obtém proteção contra credores
A Oncoclínicas obteve na Justiça uma medida cautelar que protege a companhia contra ...
A Oncoclínicas obteve na Justiça uma medida cautelar que protege a companhia contra credores por 60 dias. A rede de medicina oncológica passa por uma grave crise financeira, com dívidas que somam R$ 3,2 bilhões e prejuízo de R$ 3,67 bilhões em 2025, o que tem prejudicado o atendimento de pacientes com câncer.
A juíza Fernanda Perez Jacomini, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), determinou ontem a suspensão de "todas as ações e execuções, bem como de atos de constrição, que versem sobre créditos sujeitos a uma eventual recuperação judicial" e da "exigibilidade dos créditos vencidos e a vencer dos credores estritamente vinculados ao procedimento de mediação". Isso quer dizer que a proteção concedida pela Justiça não é irrestrita, mas válida apenas para as cobranças feitas por credores que já estão em negociação com a Oncoclínicas.
A magistrada também proibiu que a companhia tenha bens bloqueados e que novos vencimentos de dívidas sejam antecipados durante o período de vigência da decisão.
A Oncoclínicas deu entrada no pedido na última segunda-feira, dias após a divulgação do balanço financeiro de 2025 citando "incertezas" sobre a continuidade operacional da companhia. Segundo fontes, a medida garante um respiro para que a administração da rede consiga se preparar para uma recuperação extrajudicial.
Os números financeiros mostraram que a Oncoclínicas não encerrou o ano com a dívida dentro das condições previstas em contrato com os credores, de alavancagem 3,5 vezes o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Esse indicador mostra o quanto uma empresa depende de dívida para financiar suas operações: quanto mais elevado, maior o risco financeiro da companhia. Na Oncoclínicas, a alavancagem ficou em 4,3 vezes.
Logo após a divulgação do balanço, segundo o processo, a Pentágono DTVM, que representa debenturistas da Oncoclínicas, declarou a empresa inadimplente por não pagar cerca de R$ 29 milhões em juros de debêntures que venceram em 10 de abril. Como o pagamento não foi feito dentro do prazo, os títulos tiveram vencimento antecipado, o que obrigou a empresa a quitar cerca de R$ 336,9 milhões.
De acordo com a Oncoclínicas, o episódio desencadeou o vencimento cruzado de diversos instrumentos de dívida " o chamado cross default, um efeito em cascata que antecipou os vencimentos também de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) num montante de cerca de R$ 555 milhões.
"A mesma dinâmica se replicou evidenciando verdadeiro efeito cascata: um único evento de inadimplemento irradiou efeitos sobre múltiplos instrumentos financeiros, tornando imediatamente exigíveis obrigações originalmente distribuídas ao longo do tempo. (...) Trata-se de indicativo claro de que os credores estão em estado de mobilização, existindo risco concreto de adoção de medidas adicionais que tendem a agravar ainda mais o já conturbado (mas, por enquanto, administrável) cenário", afirmou a companhia à Justiça.