Prejuízo dos correios foi de r$ 8,5 bilhões no ano passado
Em crise financeira, os Correios encerraram o ano passado com um prejuízo de R$ 8,5 ...
Em crise financeira, os Correios encerraram o ano passado com um prejuízo de R$ 8,5 bilhões, mais que o triplo dos R$ 2,6 bilhões em perdas registrados em 2024. Desde o fim de 2022, a estatal acumula 14 trimestres consecutivos de rombo nas contas. Os números foram divulgados ontem pelo presidente da estatal, Emmanoel Rondon, que informou que o balanço vai "demorar um pouco a melhorar".
" De onde está vindo esse resultado? Primeiro, é uma queda de receitas de R$ 2,3 bilhões. A dificuldade de caixa afeta fornecedores, a operação, macula a capacidade de aumentar volume e novos contratos. Mas R$ 2,3 bilhões não explicam R$ 8,5 bilhões " disse Rondon, ressaltando que a receita segue estável em termos nominais, mas que ela precisa aumentar.
Outro ponto relevante para explicar o prejuízo, de acordo com o presidente da estatal, é o aumento das provisões para passivos judiciais, medida que busca dar mais transparência ao balanço ao reconhecer despesas que antes não estavam integralmente registradas.
Custos fixos
Rondon citou a pressão dos reajustes salariais vinculados à inflação, garantidos por lei, e a rigidez da estrutura de custos da companhia. Com despesas majoritariamente fixas, os Correios têm dificuldade de ajustar gastos diante da queda de receita, o que contribui para o desequilíbrio financeiro:
" Ela (despesa geral) não para, a estrutura de custos é muito rígida, com característica de custos fixos. Quando cai, não conseguimos fazer o ajuste. Tem reajuste de salário pela inflação com tese judicial consolidada.
A empresa afirma que o principal gasto que explica o resultado do ano passado é o pagamento de precatórios, que são despesas decorrentes de decisões judiciais. Além disso, a receita bruta em 2025 foi de R$ 17,3 bilhões, 11,35% menor que a do ano anterior.
Em nota, os Correios afirmaram que o maior fator isolado da queda de receita foi a redução de 65,6% nas encomendas internacionais, provocada por aumento na tributação sobre importações de baixo valor, a chamada "taxa das blusinhas". No total, as receitas com encomendas caíram 0,5%:
"Esses números refletem pressões estruturais de longo prazo. O volume de cartas caiu de forma irreversível com a digitalização. O e-commerce cresceu, mas exige uma operação diferente, com entregas menores, mais dispersas e mais caras. Os Correios estão se adaptando a essa realidade, ampliando serviços logísticos, financeiros e de atendimento ao cidadão nas agências."
No fim do ano passado, os Correios conseguiram fechar um contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia do Tesouro Nacional, que foi depositado quase totalmente em 30 de dezembro.
A empresa ainda está discutindo com o Conselho de Administração o valor do novo empréstimo que será pedido ao mercado. A avaliação é que serão necessários cerca de R$ 8 bilhões. Esse é o valor máximo autorizado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para empréstimos com aval da União.
Para tentar driblar a crise, a empresa passa por uma reestruturação. Porém, uma das principais apostas da estratégia de recuperação econômica, o plano de demissão voluntária (PDV) encerrou-se com a adesão de apenas cerca de 3 mil funcionários, segundo o balanço parcial da estatal. Isso representa 30% da meta de desligar 10 mil trabalhadores para economizar R$ 1,4 bilhão em despesas com pessoal a partir do ano que vem. O PDV durou cerca de dois meses.
" A adesão, a nosso ver, não foi baixa. Lançamos um PDV com prazo curto para poder ter tempo de avaliar o desempenho. O PDV foi um sucesso, gerou um desligamento robusto, uma economia substancial para a companhia. A gente tem 40% de impacto em resultado financeiro " disse Rondon.
Plano de saúde
Outra medida é a venda de imóveis ociosos. Espera-se levantar R$ 1,5 bilhão. Os leilões começaram em fase de testes em fevereiro. Os resultados ficaram dentro do esperado, mas os imóveis eram menores, e a arrecadação foi de R$ 9 milhões, 20% do ofertado.
Os Correios ainda estão promovendo mudanças no plano de saúde dos funcionários, com a redução de R$ 70 milhões na despesa. A meta para o ano é de R$ 700 milhões.