Provador ‘generativo’ e avatar: renner aumenta aposta em ia
Quando a bola tecnológica da vez atendia pelo nome de Big Data, a Renner chamava atenção ...
Quando a bola tecnológica da vez atendia pelo nome de Big Data, a Renner chamava atenção por cruzar dados meteorológicos e do GPS dos caminhões dos fornecedores para calibrar os estoques das lojas. Mais de uma década depois, a varejista dobra agora a aposta em um novo imperativo tech " a inteligência artificial generativa " em busca de resultados que vão além dos bastidores operacionais.
Desenvolver recursos desse tipo de IA é um dos principais destinos dos R$ 401 milhões que a Renner quer investir em sistemas e tecnologia este ano, uma expansão de 14% na comparação com 2025, afirma o CEO Fabio Faccio.
" A gente já investia na parte mais preditiva e de algoritmos da IA, que, embora faça diferença para a experiência do consumidor, muitas vezes não é notada. Agora, definimos desenvolver 35 iniciativas de IA e já temos alguns "cases" reais " conta o executivo.
Uma das ferramentas em desenvolvimento é um provador virtual que permite ao consumidor tirar uma foto e se ver na imagem vestindo a peça de roupa que está pesquisando no app ou no site " uma espécie de "As Patricinhas de Beverly Hills" pós-Nvidia. O recurso começou a ser disponibilizado para um número restrito de peças " as mais básicas " nas últimas semanas e já foi experimentado por 500 mil clientes, segundo Faccio.
" Já vemos aumento de conversão de vendas quando o consumidor usa o recurso. Mas está apenas no início. Vamos incrementar o número de peças e, nos próximos meses, escalar os recursos. Hoje, o usuário consegue se ver vestindo apenas uma peça, mas será possível usar o look completo. E, finalmente, vamos transformar isso em vídeo. O consumidor vai conseguir se ver a 360 graus, como se estivesse se movimentando em frente ao espelho " conta.
O passo seguinte, adianta Faccio, é permitir que a foto seja o fiel da balança para a recomendação do tamanho ideal da peça. A tecnologia da varejista vai cruzar a imagem com a tabela virtual de medidas que já é usada hoje.
A IA generativa também está resolvendo um problema crônico para qualquer e-commerce de moda: a dificuldade (e a sensibilidade) de usar modelos bebês para as peças infantis. Por isso, as fotos da maioria delas eram feitas sem crianças, apenas com as roupas soltas. Agora, a Renner decidiu usar avatares infantis hiper-realistas, criados por IA generativa.
" A mãe gosta de ver a foto em um modelo, não apenas a roupa. Criamos uma plataforma própria para desenvolver os avatares e já notamos um aumento de 60% nas visitas aos produtos da categoria infantil " explica o CEO, que nega qualquer plano de substituir os modelos adultos por IA. " Só usamos ocasionalmente, para trocas rápidas. O humano continua sendo uma excelente solução para isso. Além disso, o avatar virtual também não é de graça.
A Renner, claro, não está sozinha nessa corrida. No ano passado, o CEO da rival C&A, Paulo Correa, conversou com a coluna sobre como a rede estava usando IA para agilizar a criação de modelos e dar um salto no sortimento de peças, prevendo um futuro de "coleções de moda individualizadas". Além disso, a companhia de Faccio disputa cada vez mais com gigantes tecnológicos como Mercado Livre e Amazon " sem falar na Shein ", que mantêm orçamentos bilionários para IA.
Segundo Faccio, no caso do varejo, a IA se tornou um imperativo para superar expectativas do consumidor.
" Nosso foco é encantar o cliente. Se você consegue fazer um trabalho melhor que a concorrência com essas ferramentas, a IA gera valor " diz o executivo, que, questionado sobre a possibilidade de a IA ser uma bolha, afirma que a varejista toma medidas "para garantir que a IA produza resultado". " Temos essa preocupação porque qualquer novidade pode ser um buzz que não gera resultado. Nosso trabalho é gerar resultado para o cliente e para o acionista. Senão, a IA vira desperdício.
Além da IA, Faccio tem na agenda temas bastante concretos " de tijolo e cimento, inclusive. Uma das metas do ano é acelerar a abertura de lojas de suas três marcas (Renner, Camicado e Youcom). Foram 34 em 2025, e o plano é abrir entre 50 e 60 este ano. Na Renner, especificamente, a estratégia é chegar a cidades onde a marca ainda não está. Com isso, um dos objetivos é aumentar as vendas on-line " segundo Faccio, elas sobem pelo menos 10% nas cidades onde a loja física chega.
Outra prioridade é a mobilização, ao lado de outras varejistas, contra eventual extinção ou corte parcial da chamada "taxa das blusinhas" " algo que vem sendo discutido no governo.
" O que defendemos é isonomia, não protecionismo. A taxa que o Brasil adotou já não foi suficiente para proporcionar isonomia, mas diminuiu o incentivo (às plataformas estrangeiras). Discutir a retirada da taxa é uma ideia absurda " conclui.