Brasil se destaca na alemanha em economia verde e geopolítica
País-destaque da Hannover Messe 2026, a maior feira industrial do mundo, na Alemanha, o ...
País-destaque da Hannover Messe 2026, a maior feira industrial do mundo, na Alemanha, o Brasil teve a participação de cerca de 800 empresários e executivos representantes de 300companhias brasileiras, das quais 140 expositoras. Além do caráter econômico-industrial do evento, o tom da participação do país foi fortemente político, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele foi recebido pelo chanceler alemão Friedrich Merz, e o alinhamento foi destacado diversas vezes às vésperas da entrada em vigor, ainda que em regime provisório, do acordo comercial Mercosul-União Europeia (UE), prevista para 1º de maio.
Merz frisou que "a proximidade é mais importante do que nunca nestes tempos de tanta mudança na ordem mundial".
Executivos e autoridades fizeram balanço positivo da participação brasileira.
" O Brasil se mostrou como um país estável e aberto a negociações, como ficou claro nos discursos do presidente Lula. A estabilidade é muito importante para europeus e, especialmente, para os alemães. Além disso, o país se apresentou como uma solução para o cenário de transição energética " disse o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller.
‘Coisas fantásticas’
Mas, para além das oportunidades, também foram abordados os desafios à agenda do Brasil, como a regulação europeia que poderá travar o avanço dos biocombustíveis brasileiros na região, criticada por Lula.
O destaque do Brasil na feira se deu em uma edição marcada pelo uso da inteligência artificial (IA) na indústria, robótica avançada, energia e infraestrutura industrial, ecossistemas de digitalização, inovação e automação.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan), Luiz Césio Caetano, participou de todos os cinco dias da feira e contou ter visto "coisas fantásticas" do que virá de evolução na tecnologia industrial.
" Isso é muito rico. E a participação brasileira mostra grande capacidade nossa. Temos agora o acordo entre UE-Mercosul, com forte potencial de negócios. Pelas conversas que tivemos, os alemães também têm essa percepção de que o mercado pode crescer muito com o acordo " disse Caetano.
Algumas companhias brasileiras fizeram lançamentos importantes durante a feira.
A Weg apresentou a linha W23 Sync+Ultra, um motor elétrico de máxima eficiência com economia de energia de até 40% em algumas aplicações, mais sustentável, usando 29 vezes menos material do que motores tradicionais.
A produtora brasileira de biocombustíveis B8 mostrou o BeVant, um biodiesel de alta performance projetado para substituir 100% o diesel fóssil em motores convencionais podendo ser utilizado diretamente nos veículos sem a necessidade de adaptações nos motores ou na infraestrutura atual de abastecimento.
" Ao longo dos anos, a feira foi se aproximando cada vez mais das agendas de inovação, de tecnologia e de tendências. Neste contexto, a Weg achou que era um bom momento estar na Hannover Messe. E como o Brasil foi o país-parceiro do evento, a exposição foi ainda maior " disse Daniel Marteleto Godinho, diretor de sustentabilidade e relações institucionais da Weg, que tem 67 parques fabris em 18 países, sendo três na Alemanha.
BALANÇO DA APEX
Müller, da Apex, diz que a feira funcionou como uma vitrine de novas tecnologias desenvolvidas no país, além de gerar contatos para as companhias e startups nacionais de base tecnológica.
Balanço da ApexBrasil aponta que mais de cinco mil pessoas passaram pelos estandes das 140 empresas brasileiras expositoras.
Para o vice-presidente executivo técnico da Vale, Rafael Bittar, a presença em Hanôver foi ma oportunidade de levar à Europa a visão de mineração do futuro, baseada em pilares como operações inteligentes, minimamente invasivas e compartilhamento de valor:
" Somos a única mineradora presente aqui na feira. Não tem tecnologia sem mineração. Não tem tecnologia sem minerais críticos, sem cobre, sem níquel, sem cobalto, sem zinco. Só que a mineração não pode servir simplesmente como atividade de extração, ela gera valor e protege.
Como foi revelado na feira, já há quatro projetos sobre minerais críticos no Brasil em avaliação para investimentos europeus.
(*Do Valor)
Os jornalistas viajaram
a convite da ApexBrasil