Martes, 28 de Abril de 2026

Guardiões de sementes preservam cultura alimentar

BrasilO Globo, Brasil 28 de abril de 2026

Há 34 anos, quando tinha 17 anos, Rosana Martuchelli Nogueira sentia um incômodo ao ver as ...

Há 34 anos, quando tinha 17 anos, Rosana Martuchelli Nogueira sentia um incômodo ao ver as mudanças que o Vale dos Lúcios, em Teresópolis (RJ), vivia. Filha de agricultores, ela foi testemunha do esforço que seus pais faziam para preservar suas próprias sementes a cada nova safra:
" Quando eu comecei a trabalhar na lavoura, percebi que quando meu pai ia plantar feijão, ia no armário, pegava o feijão de plantar e o restante ele deixava para comer.
Os grãos não estragavam mesmo após tanto tempo guardados, e a explicação do seu pai era: "o pó de onde a semente foi cultivada", o que foi confirmado cientificamente, com a ajuda da Embrapa:
" Comecei a estudar, tive acesso à Embrapa, e descobrimos que tem um microrganismo que protege o feijão e o milho do caruncho. Meu pai colocava esse microrganismo sem entender o que estava fazendo, mas fazia o certo.
Hoje com 51 anos, ela tem sido responsável por preservar um patrimônio, ao manter a genética de sementes ancestrais de milho e feijão. Essas sementes não passaram pelos processos de melhoramento genético modernos, que dão origem a híbridos e transgênicos patenteados e que são recomprados a cada nova safra.
Incomodada na época com a popularização do cultivo de híbridos na localidade, ela iniciou um resgate do plantio de sementes crioulas na região, que persiste até hoje.
A mil quilômetros de Teresópolis, em Palmeira (PR), a mesma preocupação motivou a agricultora Ana Andréa Jantara a criar seu banco:
" Com o tempo, fui percebendo que essas sementes crioulas estão cada vez mais escassas. Por isso, eu quis resgatá-las, para que meus filhos também pudessem consumir esse alimento.
Ela mantém mais de 200 variedades de sementes crioulas de grãos, legumes e hortaliças. Ana Andréa se tornou referência na região, recebendo sementes de produtores que encerravam seus plantios.
" Cada semente carrega a história de um povo, de pessoas e de comunidades inteiras.
De acordo com o engenheiro agrônomo Leandro Barradas, professor do curso técnico de Agronomia da Escola Técnica Estadual de Andradina, essas espécies são importantes por sua alta rusticidade e adaptação ao seu ambiente de origem, onde foram selecionadas por gerações, além de garantirem soberania e autonomia aos agricultores:
" A semente híbrida amarra você a um pacote tecnológico inteiro, o que eleva o custo de produção. Na região de Andradina, esse plantio fica entre R$5 mil e R$ 6 mil o hectare de milho transgênico, enquanto o milho crioulo no sistema agroecológico tem custo de R$ 1 mil a R$ 2 mil.
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