Foram criadas no país 228 mil vagas formais em março
O Brasil criou 228.208 vagas de emprego com carteira assinada em março, segundo dados divulgados ...
O Brasil criou 228.208 vagas de emprego com carteira assinada em março, segundo dados divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O resultado representa uma forte alta em relação ao mesmo mês de 2025, quando foram abertas 79.994 vagas, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Esse é o segundo melhor desempenho para meses de março na série recente, ficando atrás apenas de 2024, quando foram registrados 245.599 postos formais no período.
O resultado também veio acima das expectativas do mercado. A mediana das projeções de instituições financeiras, gestoras de recursos e consultorias apontava para a criação de 170.186 vagas, segundo levantamento do Valor Data.
No mês, foram registradas 2.526.600 admissões e 2.298.452 desligamentos. Com isso, o saldo acumulado no ano (janeiro a março) chegou a 613.373 postos. Já em 12 meses, entre abril de 2025 e março de 2026, foram criados 1.211.455 postos de trabalho com carteira assinada.
O setor de serviços liderou a geração de empregos no mês, com saldo de 152.391 postos. Também registraram resultados positivos a construção civil, com abertura de 38.316 vagas; a indústria (28.336); e o comércio (27.267 ocupações).
Na contramão, com fechamento de postos de trabalho, está a agropecuária, que cortou 18.096.
No seu relatório, o economista da Daycoval, Antonio Ricciardi, chama a atenção para o fato de que os números de março ainda não refletem os impactos econômicos do conflito no Oriente Médio.
"Esse dado é reflexo ainda do período que não tinha os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e principalmente a economia brasileira passava por um choque positivo sobre atividade econômica decorrente da isenção de Imposto de Renda e da valorização do salário mínimo no começo do ano".
O economista afirma na sua análise que o prolongamento da guerra no Irã e consequente aumento no preço do petróleo e da expectativa de taxa de juros maior que a esperada ao fim do ciclo de corte de juros devem "impactar a atividade daqui para frente".
"Esses fatos devem resultar no mercado de trabalho mais fraco durante 2026, principalmente no final do ano. Atualmente a nossa projeção de criação de vagas é 1.2 milhão no final do ano, com um viés de baixa", diz Ricciardi no relatório.
Salário menor
O salário médio de admissão em março foi de R$ 2.350,83, queda de R$ 17,50 (-0,7%) em relação a fevereiro, quando o valor médio era de R$ 2.368,33. Na comparação com março do ano passado, porém, houve ganho real de R$ 41,80, o equivalente a uma alta de 1,8%.
Dos 27 estados, 24 tiveram saldo positivo de empregos. Os maiores avanços foram em São Paulo (67.876), Minas Gerais (38.845) e Rio de Janeiro (23.914).